domingo, 1 de agosto de 2010

Anime Friends 2010

Depois de mais de vinte dias, cá estou eu relatando sobre a minha ida pela segunda vez ao maior evento da cultura pop japonesa em São Paulo, o Anime Friends. Sempre fui fã desse tipo de produção, mas com exceção de fóruns de discussão e comunidades do Orkut, jamais havia participado de um evento do tipo.

Tudo começou a partir de 2001, quando tive a oportunidade de comprar meu primeiro computador. Quando acessei a internet pela primeira vez de casa (eu já conhecia a rede mundial desde 1.999), uma das primeiras coisas que fui procurar foram páginas sobre tokusatsu. Já estava órfão deste tipo de produção desde a primeira metade dos anos 90, e morria de saudade de rever algo a respeito dos grandes heróis japoneses da minha infância/ adolescência. Como não poderia ser diferente, cheguei até o Tokusatsu Tyosenshu, site que só quem teve a oportunidade de acompanhar sabe da importância dele no cenário da chamada “tokunet”. Praticamente foi o pontapé inicial de todo um movimento, resultando em muitas coisas que temos hoje com qualidade e facilidade.

Em 2004, lembro-me de ter ouvido falar do Ressasca Friends, e que a atração principal do evento era justamente a presença do Takumi Tsutsui, o Jiraiya. Fiquei muito animado e tentei de todas as formas achar um jeito de estar lá, sem saber onde era, quanto custava, etc. Resumindo, não consegui nada. De lá pra cá, sempre acompanho pelo Tokubrasil o pessoal durante o aquecimento no tópico oficial dos eventos, principalmente o AF, e depois as fotos, comentários e tudo mais. Como moro um pouco longe (mais de 120 km da capital), e não tenho conhecimento nenhum dentro de SP, sempre tinha uma esperança, mas bem lá no fundo. Dessa forma, aumentando meu circulo de amigos naturalmente, fui ficando cada vez mais próximo (via internet) do velho e bom amigo Yuri Calandrino, uma vez que partilhávamos boa parte de nossos hobby’s. Em 2009, tomei coragem e resolvi pegar um ônibus na cidade vizinha (Indaiatuba-SP) e rumar para SP, e finalmente realizar o sonho de participar de um evento. Foi inesquecível. E viciante...

Este ano não foi diferente. Voltei a combinar com o Yuri e o pessoal do Rio que sempre participa (Marzo [Seijuro Hiko], Camila [Cyberfan] e Vitinho – que no ano passado não veio, mas em seu lugar estava o Pedro [Kotar]). E como este mundo é praticamente movido por influências, faço essa postagem baseado na influência de outro grande amigo que ainda não tive a oportunidade de conhecer pessoalmente, mas que já batemos altos papos por e-mail e até telefone: Michel Matsuda. Se bem que vai ser difícil de vê-lo pessoalmente, uma vez que reside no Japão desde 2.000 e não pretende voltar para o Brasil...

Cheguei em São Paulo por volta das 08:40, e o pessoal do Rio já estava no Terminal Rodoviário do Tietê me aguardando. De lá rumamos para o Hotel Blue Three, no bairro Jardins, onde estavam hospedados os dubladores que vieram do Rio de Janeiro. Yuri foi confirmar sua hospedagem lá. Ficamos sabendo que os cantores também estavam no mesmo Hotel. Do nada, vários dubladores começaram a sair pelo saguão do Hotel e seguiam em direção à uma Padaria na esquina à frente do local. De cara vi a Miriam Ficher passar ao meu lado, mas me contive e não a abordei, pois ela tinha viajado a noite inteira e estava com uma cara de exausta. Não quis bancar o fã chato. Em seguida passaram Rodrigo Antas (2ª voz do Bart [Simpsons]), Luis Manoel (1ª voz do Fred [Scooby-Doo]) e Luis Carlos Persy (Doggie Krueger [Power Rangers SPD]). Chegamos a ir até a Padaria, mas só observando de longe, sem incomodar ninguém. Eu já tinha feito minha reserva via telefone no Hotel Formule 1 (indicado pelo Genninhu via MSN), ao lado da estação do Metrô Paraíso com antecedência, e em seguida fomos pra lá pra tentar encaixar o Vitinho. Marzo e Camila já tinham reservado também via internet. Acabamos rachando um quarto. Como era muito cedo, não podíamos fazer o check-in e nos livrar de nossas mochilas, infelizmente. Tudo parcialmente resolvido, resolvemos fazer um passeio pela capital. Rumamos para a estação São Bento, a fim de passear pela 25 de Março. Lá encontramos ninguém menos que o (ou seria "a"?) Rodela:

Pra variar, estava lotado de gente, e não ficamos muito tempo lá. Andamos então para a Galeria do Rock. Yuri saiu em busca de material sobre Rock clássico, e encontrou grande parte do que procurava. DVD’s do KISS, se não perdi a conta, ele comprou quatro, uma camiseta do Led Zeppelin e mais alguns apetrechos. Até comentei com ele que eu ficava espantado em imaginar onde ele arrumava tempo pra gostar de tanta coisa junto. Incrível, ele acompanha animes, tokusatsu, futebol, dublagem, música, filmes e muitas outras coisas, de uma só vez! E eu não consigo focar em mais de uma coisa ao mesmo tempo... mas é um dom que ele tem e eu admiro.

Depois já fomos almoçar. Em seguida (diferente do ano passado, que chegamos no evento por volta das 17:00 hs) rumamos para o Mart Center. Em torno das 14:00 hs já estávamos chegando no Anime Friends.





Dessa vez deu pra olhar um pouco de tudo, os estandes, o pátio, enfim, tudo. Fiquei admirado com as figuras dos animes. Nessa hora lembrei-me do Michel. Bonecas lindas, com pinturas perfeitas, do jeito que vemos nos constantes reviews do blog dele. Infelizmente tinha muita gente e a iluminação não ajudava, então não consegui tirar uma só foto decente. Em outros estandes menos concorridos, vi algumas figuras dos animes mais antigos, como Dragon Ball e Saint Seiya. Como não sou um colecionador assíduo, vejo os bonecos e fico admirado, mas não almejo tê-los pra mim. Vi muita pouca coisa de tokusatsu, mas tinham algumas miniaturas que imitavam a coleção Girls In Uniform. Entre os que consegui fotografar, segue os mais bonitos na minha opinião (todos de DBZ):



Acabei comprando um Goku pequeno, que achei bem feitinho pelo preço, pois é o personagem predileto da Samanta nos animes. Já está em pé do lado da mesa do nosso computador.



No caminho, encontramos uma Colombiana usando um Cosplay da Morrigan de Darkstalkers. Ela foi notícia até no site da Henshin:

Passamos pela Sala Tokusatsu, onde cumprimentamos os colegas de Fórum. Estavam lá: Raoni (Change Dragon); Vagner (AsakuraTakeshi); Giu (JH), Eduardo (Yugoman) e Diego (Hikaruon). No tempo que ficamos lá estavam exibindo Kamen Rider Decade, Sharivan e RX. Descansamos e em seguida já fomos passear pelos palcos onde aconteceriam os shows. O Pessoal da Yamato fez uma lambança gigantesca e acabou colocando o Oscar da Dublagem e o Super Friend Spirits praticamente no mesmo horário. Eu não sabia o que fazer, já que estava lá pra ver as duas atrações. Há tanto tempo venho me comunicando com os dubladores e estava literalmente entre a cruz e a espada. O que fazer? Acabei ficando no show dos cantores, mas com a cabeça num lugar e o coração em outro. Pelo menos me diverti a beça revendo Akira Kushida e Shinichi Ishihara, além de poder ver de perto o grande Takayuki Miyauchi. Tinha um pessoal filmando, e como estávamos na frente, cheguei a aparecer bem rápido em alguns vídeos do Youtube.





Não conseguiu me achar? Não acredito... tão fácil...

Antes do início das apresentações, mais alguns conhecidos de Fórum e Orkut chegaram: Marcelo (Cyber Sharivan), Fernando e Anderson, parceiros na comunidade Dubladores de Tokusatsu. Depois o Silas (Aniki) chegou. Também surgiu um cara gente fina ao meu lado, me parece que se chama Denis. Sabia todas as músicas, cantou e pulou o tempo todo. Acabaram apelidando-o de Lyu Kang, uma vez que era descendente de japoneses e tinha o cabelo comprido. Gente boa.


Foto 01 (da esquerda para a direita): Fernando, Yuri, Anderson, Marcelo e Denis.
Foto 02 (idem): Eu, Yuri, Silas, Marzo e Camila.


Não pudemos falar muito, pois logo o show começou. Infelizmente fotos boas são uma raridade da minha simples câmera, mas dá pra ver alguma coisa.




Durante a apresentação dos cantores, aquela festa imensa. Todos pulando e cantando em coro os hits dos artistas. No finzinho do show eu corri para o outro lado e consegui pegar o final do Oscar da Dublagem. Mas antes, o pessoal do Fórum chegou em peso, e deu pra conhecer o Vagner (Zero) e trocamos algumas palavras. Cumprimentei o Thiago (Frank), Ana (Anafox) e o Ali (Ali-kun).

Próxima postagem: Oscar da Dublagem!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Paulo Wolf, o Dublador do Shishio

Samurai X (Rurouni Kenshin) todo mundo conhece. Uma série maravilhosa, com um enredo bárbaro, pitadas de romance, violência e conflitos psicológicos bem arranjados numa animação detalhada, cercada de uma trilha sonora monstruosa e envolvente. Um dos melhores animes que já passaram - e continua sendo exibido no Animax – aqui no Brasil.

Também possui um dos maiores e melhores vilões de uma série japonesa: Makoto Shishio. Um assassino extremamente habilidoso e cruel a serviço do governo, que de repente se vê numa posição onde suas habilidades não são mais necessárias aos seus superiores, e que ao mesmo tempo sabe demais para simplesmente se desvincular do cargo. Para dar fim à sua vida, atearam-lhe fogo vivo e o deixaram no meio de uma floresta para morrer desamparado. Por ironia do destino, as chamas queimaram seu corpo inteiro, mas não foram capazes de retirar a vida de seu já considerado cadáver.

Após um tempo nas sombras tentando se recuperar das queimaduras, Shishio conhece um menino um tanto especial, chamado Soujirou Seta (Fabio Lucindo), que fica sendo seu “amigo” e braço direito. Após alguns anos, a dupla reúne os dez melhores espadachins do Japão Feudal, o grupo Juppongatana, com o único e exclusivo intuito de conspirar contra o regime de Governo atual e tomar o Japão para si próprio - afim de disseminar sua vingança contra os nobres que lhe traíram - e fazer com que o Japão se torne um país mais forte, impondo sua tirania.

Makoto ficou com sequelas graves em seu corpo por decorrência das queimaduras em 100% dele, tendo que levar uma vida extremamente regrada a cuidados com os ferimentos adquiridos. Sua temperatura corporal é extremamente superior a de um ser humano comum, e como sua pele nunca se regenerou, ela é envolvida em ataduras, tal qual uma múmia. Na batalha final contra Kenshin Himura (Tatá Guarnieri), sua condição física durante a batalha é extremamente restrita, devido aos movimentos rápidos e o excesso de força nos músculos, além de sua própria transpiração natural, que o faz arder em chamas numa espécie de combustão instantânea.


No Brasil, sempre existiu uma lenda em volta do nome do seu dublador. Sites e usuários de fóruns creditavam o personagem ao Emerson Caperbat, um dublador extremamente versátil e competente, que também possui uma voz marcante. Depois de algum tempo, soltaram um boato de que talvez a voz fosse de um dublador desconhecido por mim, chamado Fernando Guimarães (?). Nesse meio tempo, até mesmo o Renato Marcio foi creditado no personagem em determinada ocasião. O caso é que sempre havia uma dúvida em relação a esse dublador. Foi então que assumi essa empreitada faz algumas semanas e saí pesquisando.

Primeiramente editei um trecho de áudio onde o Shishio tem várias falas e salvei em mp3. Contatei o Caperbat, que eu também achava que era o dublador, mas ele próprio disse que a voz não era dele e que não reconhecia a interpretação. Perguntei para mais dois dubladores, sem êxito. Eis que então ontem, zapeando por alguns capítulos da quarta temporada do desenho do Homem Aranha (Animated - anos 90), me deparo com dois personagens com a mesma voz: a terceira voz do Escorpião e o a segunda voz do Wisteler, companheiro do Blade.

Justamente fui buscar a voz desse dublador nessa série porque eu já tinha ouvido algumas pontas e vozerios dele na primeira temporada, e também lembrava de cabeça que ele fazia a voz do Caveira Vermelha, inimigo do Capitão América nesse mesmo desenho. Nos capítulos que zapeei, ele dialogava com a Márcia Regina e a Angélica Santos. Editei novamente um trecho do diálogo entre os 3, dessa vez ele fazendo uma voz mais leve do que a do inimigo do Kenshin. Foi então que tentei a sorte. Contatei as duas dubladoras e Bingo! Márcia (que já havia trabalhado com ele justamente no Samurai X) soltou um nome, mesmo não tendo certeza, e em seguida a Angélica confirmou: O lendário dublador do Makoto Shishio em Samurai X é o Paulo Wolf.

Disseram-me que ele era muito bom (e eu assino embaixo, já que a voz do Shishio é ímpar) e que infelizmente faleceu já faz alguns anos, no auge de sua carreira e juventude. Numa busca rápida na internet, não há uma só informação disponível sobre um ator com este nome em dublagem. Provavelmente só os colegas de profissão o conheciam, uma vez que a disseminação dos nomes dos dubladores em revistas, eventos, Youtube e afins é mais recente. Do desenho do Homem Aranha (Álamo - 1994) até o Samurai X (BKS - 1999), não lembro de tê-lo ouvido em nenhuma outra série, infelizmente.

Fico muito feliz e sou extremamente grato à Márcia e a Angélica por ajudarem a desvendar mais essa lenda da dublagem, deixando o seu nome eternizado na história e finalmente conhecido pelos fãs, mas ao mesmo tempo triste por saber que um dublador tão bom faleceu tão cedo. Ainda continuo buscando informações sobre ele, e quem sabe até mesmo uma foto, um dia.

ATUALIZAÇÃO: Conversando com Vanessa Alves, esposa do Paulo Celestino, ela me mandou uma foto de seu marido com o Wolf, quando fizeram a peça "Laços Eternos" juntos. A imagem dele de frente, que usei no início da postagem, de cabelos curtos e barba, também foi retirado de um scan da Revista Manchete, disponibilizado por ela. Fica registrado meu agradecimento à esta grande atriz por conceder as imagens. 


Ouça a voz do Paulo Wolf clicando logo abaixo:

sábado, 3 de julho de 2010

Parabéns, Nair Silva

Três de Julho, data de comemoração mais do que especial pra ninguém menos que Nair Silva, uma excelente profissional com um tato inigualável na hora de escolher artistas diferenciados no mercado de vozes de São Paulo. Eu, como fã de seu trabalho desde 1.986, não poderia deixar passar batido a 60ª primavera desta excelente atriz.


Querida e idolatrada por todos os profissionais do ramo da dublagem, é uma pessoa especial, seja como profissional ou como amiga pessoal. Possui um leque de amizades gigantesco, e em todo esse tempo que tenho o prazer de me corresponder esporádicamente com ela, jamais vi uma só pessoa ter algum tipo de desavença contra sua pessoa.


Com mais de 50 de carreira, já fez rádio e TV, mas foi como atriz que descobriu seu talento nato, a partir de 1.967. Ingressou na carreira de dublagem, ao lado do marido Líbero Miguel e até hoje brinda os fãs com trabalhos de qualidade e personalidade.


Na época das séries japonesas, teve a oportunidade de dirigir a maioria delas, uma vez que havia assumido o cargo de Coordenadora Artística da Álamo, após o falecimento de seu companheiro em 1.989. Marcou a vida de muitas crianças dando vida a Rainha Ahâmes do seriado Changeman e a Gyorú em Jaspion. Seguidamente dublou a Mag, a robôzinha ajudante dos Flashman, numa das maiores e melhores dublagens da época, tanto no quesito técnico quanto artístico, misturando um elenco composto de profissionais extremamente gabaritados na arte, como Gastão Malta, Ivete Jayme, Muíbo Cury, Francisco Borges, Ézio Ramos e Borges de Barros; e também novos talentos que acabavam de entrar no ramo e que continuam firme e fortes na dublagem, como por exemplo Francisco Brêtas, Christina Rodrigues, Luiz Antonio Lobue, Elcio Sodré, Mauro Eduardo Lima, Letícia Quinto, dentre outros.


Em Lion Man fez apenas uma ponta, e em Jiraiya, pequenas participações, provavelmente por estar atarefada com a direção, assumida por ela a partir do capítulo 17. Depois veio Jiban - também dirigido por ela - onde além de pontas e vozeirios, dublou duas personagens chave em dois capítulos da série: a moça Pérola, no capítulo 32 e a policial Júnko no episódio 41. Na leva de séries seguinte, dirigiu Goggle V em parceria com o Gilberto Baroli, também fazendo a voz da Mazúrka, uma inimiga dos Gigantes Guerreiros. Em Sharivan dublou a Miss Akuma 1 e em Machineman, pequenas participações. A única série da época dublada na empresa e que nunca teve a sua voz foi Metalder. Na última etapa desse nicho de seriado, dirigiu e fez a segunda voz da Shadow, a partir do episódio 11, substituindo Dione Leal em Spielvan. Em Maskman e Black Kamen Rider, apenas pontas ou substituições temporárias.



Como nos anos 90 ela contratada da Álamo, nunca pode emprestar sua voz para nenhum dos animes dublados na Gota Mágica. Se tivesse feito, provavelmente teria se tornado um clássico, como tudo o que foi feito naquela casa. Infelizmente ela não frequenta eventos, mas sempre que possível, responde mensagens dos fãs em seu Orkut. Atualmente trabalha e dirige na Clone, e neste ano teve a oportunidade de mais uma vez ter contato com seriados nipônicos por intermédio da dublagem. A Focus Filmes trouxe para o Brasil a série do National Kid, e alguns capítulos foram redublados (pela segunda segunda vez – a primeira redublagem da série aconteceu em 1994, pelo próprio Emerson Camargo, que havia feito a primeira dublagem) e ela dirigiu e escolheu a voz do substituto à encarnar o herói: Affonso Amajones.


Acredito que da parte da história que eu conheço, termino aqui minha dissertação. Mas a carreira de Nair Silva é um exemplo a todos aqueles que querem levar a arte a sério, e serem diferenciados dentre os demais, sem menosprezar ninguém. A não ser por e-mail, ainda não tive a oportunidade de conversar com ela pessoalmente ou ao menos ouvir sua voz no telefone, mas acredito que esse dia vai chegar.


Abaixo, um vídeo disponibilizado pela Alessandra Araújo, uma das “crias” e amigas íntimas de Nair, que foi veiculado em 2.007, na festa que comemorava seus 50 anos de carreira. Na gravação, além de fotos de muitos dubladores, podemos ver gente mais do que conhecida dos fãs de Tokusatsu falando sobre ela. Assistam o vídeo e saibam ainda mais sobre os trabalhos de Nair Silva:



Participações:


Antonio Moreno – Guíla em Jaspion (Narração);

Maximira Figueiredo – Kílza em Jaspion e Aracnin Morgana em Jiraiya;

Luiz Antonio Lobue – Desguiler em Google V e Narrador em Black Kamen Rider;

Cecília Lemes – 2ª voz da Anrí em Jaspion e Diana em Spielvan;

Isabel de Sá – Jesse em Pokémon e Marín em Cavaleiros do Zodíaco (Redublagem – Álamo);

Rosa Maria Baroli – Satie em Black Kamen Rider e Mího/ Princesa Yan em Maskman;

Marcia Regina Lima – Lêngue em Shurato e Ayúmi em Samurai X;

Neuza Azevedo – Sayáka/ Change Mermaid em Changeman e Puríma em Jaspion.


Parabéns, saúde, sucesso e paz, sempre na sua vida. De um fã que te admira muito e é muito grato pela sua atenção.


segunda-feira, 21 de junho de 2010

A Chave Mestra

Inaugurando a nova seção do meu Blog, está o filme A Chave Mestra, de 2005. Já faz algumas semanas que eu vi essa produção, e só agora estou postando. A primeira vez que tive contato com a obra foi no final do ano passado, mas estava legendado. Pelo final do filme eu fiquei impressionado com a história, e assim que vi que iria passar dublado, assisti completo.


Não é uma produção “arrasa quarteirão”, mas tem uma história sinistra, bem contada e com fatos e detalhes bem amarrados na trama. O charme fica por conta do fim, que foge dos clichês “tudo se resolveu” e “viveram felizes para sempre”. Vale a pena. Eu achei totalmente imprevisível, mas já li opiniões de outras pessoas que viram a obra e que dizem que deduziram o final antes da metade da obra. Enfim, fica registrado a dica.


Além da produção, levo em consideração a excelente dublagem. Uma fantástica versão brasileira, feita na Álamo, sob a direção da Úrsula Bezerra. No papel principal ninguém menos que Angélica Santos, e sua voz inconfundível, que caiu como uma luva na Caroline. Os “inimigos” foram feitos por profissionais também gabaritados na arte: Isaura Gomes, e suas dezenas de anos de experiência; e Alexandre Marconatto, um dublador não tão antigo, mas com uma interpretação limpa e memorável. Abaixo, segue algumas informações e o cast que peguei de ouvido. Algumas vozes eu não consegui identificar, e como de costume, não vou copiar e colar de nenhum outro lugar por não ter certeza se a informação está correta ou não. Como tenho somente contato constante com dublagens mais antigas, ainda tenho dificuldade de memorizar alguns timbres de vozes de novos dubladores. Quem sabe no futuro.


A Chave Mestra (The Skeleton Key)

Ano: 2005

Versão Brasileira: Álamo

Direção: Úrsula Bezerra


Elenco:


Caroline Ellis (Kate Hudson) – Angélica Santos;

Violet Devereaux (Gena Rowlands) – Isaura Gomes;

Luke Marshall (Peter Sarsgaard) – Alexandre Marconatto;

Jill Dupay (Joy Bryant) – Raquel Marinho;

Enfermeira – Alessandra Araújo;

Hallie – Fátima Noya;

Homem – Affonso Amajones;

Senhora – Gessy Fonseca;

Curandeira - ? (voz feminina);

Voz no radio - ? (voz feminina);

Narração/ leitura de placas - ? (voz masculina).

terça-feira, 15 de junho de 2010

Rotina

Os frequentadores assíduos deste espaço - embora não falem nada diretamente pra mim - creio que já sentem uma certa rotina no conteúdo e nas minhas postagens. “De que série será que o Ivan vai falar essa semana/ quinzena?”. “Qual dublador faz aniversário por esses dias?”. E é assim com tudo na vida. Pra entrar numa rotina é fácil, e as vezes você nem percebe, seja no trabalho, na vida particular ou até mesmo no casamento. E como toda rotina é muito chata, creio que é hora de dar uma guinada.


Pensando nisso é que venho imaginando novos “quadros” para meu blog. Nunca fui muito fã de filmes, talvez porque passei tempo demais vendo reprises dos seriados que mais gostava, e nunca a Sessão da Tarde e outros blocos de filmes dos canais aberto me chamaram atenção. Com isso, até hoje perdi (e continuo perdendo) muitos filmes que qualquer pessoa no mundo teria a obrigação de conhecer, menos eu. Pois bem, resolvi mudar isso.


Todo fim de semana, normalmente no Sábado na hora do almoço, eu pego o controle da Sky e saio zapeando a grade de todos os canais que assino. É bom deixar claro que não assino o pacote Tele Cine nem HBO, mas os demais canais de filmes (FOX, FX, MGM, Megapix, Space, TNT entre outros) vira e mexe exibem filmes de qualidade. Então, de uns tempos pra cá resolvi voltar minha atenção também a esses filmes, alguns mega sucessos do cinema, outros produções com baixa bilheteria, mas que escondem uma história firme e envolvente.


A partir das próximas postagens devo criar um “bloco” de Bons Filmes, Boas Dublagens aqui no Falando de Dublagem. Tentarei dissertar algo sobre a obra e obviamente analisar a dublagem, postando o cast de cada produção. Também pretendo dar continuidade ao “Lendas da Dublagem Desvendadas” e apresentar novos nomes de dubladores das séries japonesas que descobri com a ajuda dos profissionais ao longo desse tempo onde postei pouco, mas pesquisei bastante.


E vamos tocando o barco.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Parabéns, Alessandra Araújo

Alessandra Araújo, umas das profissionais mais versáteis da dublagem atualmente é a homenageada de hoje no meu Blog.


Contatei-a pela primeira vez via Orkut no final de 2008. Da primeira leva de dubladores que decidi abordar para o início da minha pesquisa, ela foi uma das últimas da lista. Hoje, 2 anos depois, vejo que deveria ter entrado em contato com ela muito antes.


Uma vez, papeando via MSN com meu amigo Yuri Calandrino, ele me disse que uma das primeiras pessoas que ele contatou quando começou esse trabalho todo sobre Dubladores de Tokusatsu foi justamente ela. Contou que ela era muito gente fina e atenciosa com os fãs, além de ser muito grata por prestigiarmos e gostarmos tanto dos trabalhos dela. Hoje, posso dizer sem dúvidas que a chave para a resolução de muitos mistérios do meu tópico Lendas da Dublagem Desvendadas tiveram pelo menos um dedinho dela. Além do talento aguçado com o sentido da fala que dispensa comentários, também tem uma audição clínica para reconhecer dubladores em trechos de áudio. Com sua ajuda é que consegui, junto com outros colegas da comunidade no Orkut, desvendar nomes como Lucia Castello Branco e Dione Leal. E aí vai uma dica aos simpatizantes das dublagens dos tokusatsu: Já tenho mais nomes descobertos com a ajuda dela! Aguardem futuras postagens!


Dona de uma das vozes mais bonitas - somada a uma dicção impecável - da dublagem paulista, Araújo iniciou sua carreira no final de 1988, sob a direção do brilhante Líbero Miguel, na Álamo. É uma das primeiras “crias” de Líbero e Nair Silva deste período, ao lado de nomes consagrados como Francisco Brêtas e Elcio Sodré. De lá pra cá, especializou-se na arte tornando-se umas das atrizes mais escaladas em São Paulo. Fez incontáveis trabalhos, sempre acrescentando um pouco de sua personalidade em cada atuação.


Nas séries japonesas, dublou pela primeira vez em Lion Man, série esta que justamente estava em processo de dublagem no fim do ano em que ela ingressou no ramo. Fez a personagem Táito no capítulo 20 e alguns vozeirios. Em Jiraiya, fez a professora do Manabú e a recepcionista do hotel no capítulo 07 e uma repórter no episódio 14, além de outras pontas. A partir do episódio 24, ganhou uma personagem fixa no seriado, substituindo a já citada Lucia Castello Branco na Kinín Hei-Há. Na série seguinte, Jiban, fez uma vilã, a Marshall, finalizando as séries do gênero que chegaram ao Brasil pela Top Tape. Com a chegada de 3 novas séries pela Oro Filmes, Alessandra debutou: fez muitas participações em Machineman, dublando um leque muito vasto de personagens, desde crianças até senhoras. Mas foi em Goggle V que assumiu a voz de Míki Momozôno/ Goggle Pink, a única integrante feminina do grupo de guerreiros. Ainda em Metalder fez a robô auxiliar MS Lúzi, que tinha uma pequena participação. Alguns meses depois, fixou-se na segunda voz de Tiyáki, a filha do Sr. Shoêi em Sharivan, a partir do terceiro capítulo.




As séries foram fazendo sucesso e a Álamo trabalhava a todo vapor, e Alessandra sempre estava entre as principais vozes a serem escaladas. Participou ativamente das 3 últimas séries que chegaram em 1991 pela Everest, que foram: Spielvan, dublando a vilã Lay (de longe o melhor trabalho da dubladora pra mim, junto com a Marshall de Jiban), a Sayáka/ Yellow Mask de Maskman e a forma civil do Monstro Mutante Anêmona, no capítulo 20 de Black Kamen Rider, além de várias crianças e meninas. Também fez uma pontinha em Cybercop, dublado na BKS no mesmo ano.


Já em meados dos anos 90, os animes começaram a fazer sucesso no país. No principal deles, Cavaleiros do Zodíaco, imortalizou-se na voz da Júne de Camaleão, a melhor amiga de Shun. Depois, em Sailor Moon emprestou a voz para a Rainha Beryl, líder do Negaverso e em Fly, fez a princesa Leôna. Além desse nicho de produções, acumula um incalculável currículo em filmes e séries americanas, desta vez também como diretora. Infelizmente não acompanhei de perto a segunda metade dos anos 90 e o início dos anos 2.000 das produções dubladas, pois trabalhava fora e não tinha tempo de ver TV. Só a partir de 2004/ 2005 é que pude novamente ter o prazer de acompanhar de perto a arte. Sendo assim, não acho legal copiar e colar informações da Wikipédia, por exemplo, que possam ser incorretas, colocando em dúvida o conteúdo de meu modesto espaço. Prefiro apenas dar fé no que realmente vi e ouvi. Um bom filme que assisti dublado foi A Casa de Vidro (2001), onde Alessandra interpreta de forma ímpar, num dueto com Armando Tiraboschi, dublando a atriz Diane Lane. Dos trabalhos mais recentes, recordo-me da Wilhelmina Slater em Betty, a Feia, e sei que ela está dirigindo a dublagem do Lie to Me, que passa na FOX.




Nem é preciso dizer que pelo pouco que conversamos via internet o Yuri tinha total razão ao tecer os adjetivos referente a sua pessoa. Sempre atenciosa, educada e gentil. Participa ativamente de comunidades do Orkut e do Facebook, sempre esbanjando simpatia. Fica aqui o meu agradecimento por todas as vezes que ela gastou um pouco do seu precioso tempo para responder as minhas perguntas e desejar-lhe um feliz aniversário, repleto de saúde e felicidades. Esperamos poder acompanhar seus trabalhos por muitos anos! Vida longa!


Ouça a voz de Alessandra Araújo, dialogando com João Paulo Ramalho e Christina Rodrigues em Jiban clicando aqui!


quinta-feira, 3 de junho de 2010

Parabéns, Carlos Campanile

Um dos nomes mais conhecidos da dublagem clássica e que continua firme no ramo até os dias de hoje está completando mais um ano de vida. Não é exagero dizer que sua voz forte e marcante, além de sua dicção majestosa fica cravada nos ouvidos de quem tem a oportunidade de acompanhar seus trabalhos e memorizar seu timbre de voz. Estamos falando de Carlos Campanile.

O início de sua carreira foi em teatro amador, no começo dos anos 60. Em meados deste ano, ingressou na carreira de rádio-ator, ramo muito comum na época e fez participações também na TV. Em 1967 foi parar na lendária A.I.C.-SP, dando início a sua carreira de dublador, ao lado de profissionais consagrados da dublagem brasileira. Seus “padrinhos artísticos”, como ele mesmo os denomina, foram ninguém menos que Hélio Porto, José Soares, Wolner Camargo e Neville George. Infelizmente, todos esses profissionais pioneiros da dublagem paulista já não estão mais entre nós. Pra ser apadrinhado por monstros sagrados da arte como eles, só poderia ser esse dublador talentoso que ele é.

Na parte das séries japonesas, se existe uma voz que literalmente fez falta na Álamo, de 1986 até 1992, e esse nome é Carlos Campanile. Alguns personagens (principalmente vilões), interpretados por outros atores, tiveram uma passagem, digamos, “apagada” (sem menosprezar nenhum profissional) nos seriados, mas na minha opinião, se tivessem a honra de serem dublados pelo Campanile, seria um show a parte. Infelizmente nessa época, ele estava dirigindo na BKS, por isso nunca foi escalado pelo trio Líbero/ Nair/ Baroli no estúdio. No Jaspion mesmo, como o Baroli fez vários inimigos em capítulos seguidos, poderia muito bem ter deixado pra ele o Zamurai ou o Silk. Quem sabe o Gassâmi nº1, fazendo um dueto com o saudoso Eleu Salvador. Em Changeman, também poderia ter feito a voz de vários monstros espaciais., além de alguns ninjas em Jiraiya. Enfim, seria mais uma voz poderosa a intercalar personagens junto com o time atuante da época, composto por Ézio Ramos, Gastão Malta, João Francisco, Jorge Pires, Muíbo Cury, Oswaldo Boaretto, entre outros. No entanto, pudemos acompanhar sua interpretação no vilão mor da série Cybercop, dublada na BKS em 1991, na pele do maléfico Barão Kageyâma.



Já a partir de 1995, Campanile caiu nas graças dos jovens (e marmanjos) amantes dos animes, bem no início da febre. Chegando à Gota Mágica, sob a direção do já citado Gilberto Baroli, emprestou sua interpretação para excelentes personagens: Thor de Fekda e Durval em Cavaleiros do Zodíaco, Demon em Samurai Warriors, e o cãozinho ninja Shuu em Dragon Ball (dublagem clássica), além de outras vozes. Mas o personagem que ele fez e é meu predileto é ninguém menos que o Freeza o super vilão da segunda fase de Dragon Ball Z, no comecinho dos anos 2000. Trabalho magistral, único; não há adjetivos para elogiar essa atuação. Uma curiosidade é que no original, “Freezer” é dublado pelo gabaritado Ryusei Nakao, que, devido ao tamanho minúsculo e a aparente fragilidade do personagem, caracterizou-o com uma interpretação contendo uma certa tendência homossexual, já que vilão Branco e Roxo - principalmente em sua forma final - possui um visual extremamente andrógino. Já no Brasil, recebeu uma voz de “machão”, com um timbre grave e amedrontador. Conversando com o Carlos, ele me disse que o som guia de Dragon Ball Z veio em Castelhano, e que não havia essa entonação no personagem nessa versão. Podemos dizer que existiu uma certa censura, mas que não descaracterizou o personagem e nem o contexto da história.

Pessoalmente não tive a oportunidade de conhecê-lo, mas por e-mails e Orkut, é o dublador mais educado, simpático e atencioso com quem já me relacionei. Sempre pronto a responder e ajudar no que sabe, além de não tem receio em fazer nenhum comentário envolvendo terceiros. Trata os fãs de maneira extremamente cordial.

Uma pena eu não conhecer as produções clássicas que ele dublou, (além de quase não ver filmes), mas zapeando pela Sky, nos canais destinados a programações dubladas como Fox, Megapix e TNT, sua voz é constantemente ouvida em várias produções dos anos 90 e também mais recentes. Parabéns, felicidades, muitos anos de vida, e acima de tudo muita saúde, para que continue a nos brindar com seu trabalho impecável por muitos anos!

Ouça a voz de Carlos Campanile, dialogando com Wendel Bezerra em Dragon Ball Z clicando aqui!

A título de curiosidade, ouçam o mesmo trecho em japonês, contendo as vozes de Ryusei Nakao (Freezer) e Masako Nozawa (Son Goku) clicando aqui!