
Muito foi falado nesta semana que passou a respeito da dublagem do anime Dragon Ball Z Kai, que entre gostos e desgostos foi finalmente definido por parte da Toei Company, que o estúdio que fará a Versão Brasileira da animação será a BKS.
Uma chuva de revolta e hostilidade por parte dos fãs tem sido visto com frequência na internet, acusando a empresa por seus trabalhos questionáveis em séries mais antigas, como Samurai X (1999) e Sailor Moon R (2000). Até onde tenho acompanhado, o Portal JBOX foi o primeiro site a confirmar a notícia. Assim, gostaria de dar a minha opinião e fazer minha singela e despretensiosa análise.
Em
Não estou aqui para defender nem acusar ninguém, pois não pertenço a classe de dubladores, e tampouco sou funcionário da empresa. Então não vou entrar em maiores detalhes sobre os reais motivos que levaram a casa/ profissionais a não serem mais parceiros. Desde que o mundo é mundo, pessoas se desentendem, as vezes por motivos pessoais, outras vezes profissionais. Seria uma utopia se nós fãs quiséssemos que com a classe de Dubladores fosse diferente: todo mundo se relacionando bem, sempre.
Chegando finalmente ao ponto alto da discussão, vou tecer minha opinião: Não existe fundamento em acusar e culpar uma empresa por erros do passado, deduzindo que os mesmos problemas uma vez acontecidos voltarão a se repetir. Eu explico, baseando-me num exemplo: Não é porque tivemos um trabalho sofrível em relação a tradução e adaptação de Samurai X que podemos deduzir que tudo que aconteceu de errado com esse anime vai acontecer com o Dragon Ball Kai. O tempo passa, as coisas mudam, pessoas evoluem, e seria muita ironia de uma empresa ficar dez anos parada no tempo cometendo os mesmos erros e continuar na ativa, firme e forte. No atual modelo de mercado capitalista e extremamente concorrido, quem não tem um diferencial, abre falência. Perde mercado. Não se mantém.
Samurai X (Rurouni Kenshin para os íntimos) é uma animação focada no Japão Feudal, numa época de transição política do regime Tokugawa para a era Meiji, com muitas (mas muitas mesmo) referências à cultura oriental de raiz, e que de forma alguma se assemelha com qualquer fato da história da nossa cultura ocidental. O problema maior foi fazer uma adaptação baseado numa história em que o próprio encarregado do trabalho desconhecia os fatos. Acredito que quando o anime chegou para ser traduzido, a versão recepcionada foi a americana, levando em consideração os capítulos que o Cartoon Network exibiu, que tinha como segunda opção de áudio o Inglês. Isto é, já não foi a versão “pura” que desembarcou por aqui. Os gringos - como é de costume - tem o péssimo hábito de fazer suas próprias alterações (e não adaptações, pois alteram livremente o contexto da obra sem qualquer tipo de receio), obrigando questões culturais de países diversos a encaixar nos contextos da vida na América (American Way of Life). Agora, imaginem o tradutor de um anime complexo como este, recebendo uma versão já picotada, e tendo pouco conhecimento da cultura nipônica, o resultado que podia dar. É o que conhecemos. Longe de mim julgar a capacidade do responsável, mas tenho comigo que ele foi tão vítima da situação quanto o estúdio.
O mesmo fato aconteceu com Os Cavaleiros do Zodíaco em 1994, que todos vocês leitores bem se lembram. A Gota Mágica, por intermédio de seu diretor Gilberto Baroli, fez um trabalho marcante, escalando profissionais que casaram com seus personagens e se tornaram história. Mas garanto que todos também se lembram dos inúmeros erros grotescos no decorrer dos capítulos. Passado muito tempo (cerca de dez anos), é que ficamos sabendo o porquê de tudo. As fitas que vieram foram as Mexicanas, com áudio em Espanhol e Script
Voltando ao caso do Samurai X, que chegou numa, podemos dizer, segunda etapa da febre dos animes no país (iniciada pelos Cavaleiros [94], seguido de Street Fighter Victory [95], Rayearth, Sailor Moon, Fly, Shurato, Samurai Warriors, Dragon Ball [96], e Yu Yu Hakusho [97]), e que não havia estrutura suficiente para dar as produções japonesas um tratamento merecido no sentido de tradução e adaptação, acabamos presenciando as alterações constantes de fatos históricos, nomes de personagens/ golpes e as demais falhas no desenho do Espadachim Retalhador. Não que a Direção (que segundo dados de internet foi feita pela experiente e gabaritada Márcia Gomes) não tenha cometido falhas, como as constantes mudanças de vozes, pronúncia dos nomes dos personagens dentre outros tropeços, mas particularmente eu não atribuo o maior percentual da culpa ao estúdio, pois as vozes dos protagonistas e principais inimigos foram escolhidas a dedo, e novamente certeiras: Tatá Guarnieri, Denise Reis, Rodrigo Andreatto, Affonso Amajones, Patrícia Scalvi, Emerson Camargo, Paulo Wolf, João Batista, Márcia Regina, Fabio Lucindo, Alexandre Marconatto, Felipe di Nardo, João de Ângelo, Fátima Noya, Sergio Corcetti, etc. O próprio Tatá comentou comigo uma vez que o trabalho - na sua opinião - tinha ficado “legal”, apesar do “baile” que tomavam da tradução. Também me disse que os capítulos chegavam em lotes, o que atrapalhava a continuidade do trabalho. Provavelmente esse fato é o resultado das mudanças de vozes. Não há diretor que dê conta de tantos percalços. E ele não tem razão? Quem realmente é fã (como eu), pôde acompanhar também a versão legendada da obra, feita pelo Fansubber TNNAC, e pôde comprovar o excesso de notas do tradutor que tiveram que inserir para explicar os inúmeros detalhes da cultura oriental contidas na obra. E como poderiam fazer um trabalho tão impecável na dublagem, sem a facilidade de pesquisa que temos hoje com a internet, por exemplo? Difícil.
Mais um exemplo: O caso Sailor Moon R foi um pouco diferente. Não no quesito tradução/ adaptação, que acredito eu tenha passado pelo mesmo trâmite do Samurai X, só que desta vez com mais acertos, uma vez que o seriado seguia uma linha clichê de séries envolvendo super heróis. A Direção, novamente feita pela Márcia Gomes, deixou os fãs mais conservadores indignados por não aproveitar nada da primeira versão da Dublagem, feita nos estúdios da Gota Mágica, pelas mãos do já citado Gilberto Baroli.
De todas as protagonistas, apenas a Marli Bortoletto foi chamada para retornar ao seu papel pioneiro. Na época, a profissional alegou que não poderia fazer, pois estava com a agenda lotada, o que comprometeria o andamento da série. Daniella Piquet, filha da dona da BKS, a Sra. Pierângela, assumiu a voz da heroína.
Essa versão divide opiniões, pois em suma, foram escaladas dubladoras mais jovens para as meninas, diferente da versão clássica, que contava com atrizes experientes, como é o caso da Gilmara Sanches, Christina Rodrigues e Isabel de Sá. Muitos fãs gostaram da escalação da BKS, dizendo que as moças (Melissa Garcia, Fernanda Bullara e Priscila Concepcion) eram mais condizentes com a idade das garotas.
O fato é que os animes passaram a ter uma importância maior para os distribuidores somente a partir de 2003, quando resolveram relançar justamente o primeiro sucesso dos anos 90, que foram os Cavaleiros do Zodíaco. A princípio, assim como Sailor Moon R (e as demais fases), todas as vozes seriam mudadas, mas os inexpressivos fãs (até então, pois não havia um contato entre fã/ dublador/ distribuidor) fizeram um movimento inédito em prol da volta das vozes originais, e que funcionou com um despertador para os engravatados por trás do projeto no sentido de que a opinião do fã tem sim muita importância. Esse Feed-Back entre consumidor Vs. vendedor era algo que valia apena prestar atenção. Resolveram, finalmente, fazer um trabalho ímpar, desde a tradução até a finalização do trabalho para veiculação do desenho: Marcelo Del Greco, jornalista que esteve por trás de todas as matérias referente a série nos tempos da finada Revista Herói, participou ativamente da tradução – desta vez direto do japonês – sem esquecer-se das falas, nomes e bordões que se tornaram “Cult” para os fãs da primeira Dublagem. Resultado: um trabalho excelente, com quase 100% de acertos, e que teve uma aceitação positiva tanto pelos fãs da versão da “Rede Manchete”, quanto pelos novos espectadores. De lá pra cá, com o lançamento de vários títulos em Mangás no país, a Editora JBC criou um grupo de tradutores especializados (justamente liderados pelo Del Greco), que auxiliam em traduções e adaptações para quase todas as animações japonesas que desembarcam em terras tupiniquins desde então. E novamente estão à frente do projeto Dragon Ball Kai.
Finalizando, façamos uma análise fria, baseada em fatos, sem se deixar levar pelo sentimento: Com os cuidados que estão tomando com a tradução e adaptação (que ainda está longe do tratamento que a Disney, por exemplo, tem com suas produções no Brasil), com a qualidade sonora que a BKS possui atualmente (totalmente nivelada com outras casas de São Paulo), a direção de um(a) experiente profissional e o acesso a dados simples que a internet proporciona, qual a chance do trabalho sair PÉSSIMO? Acredito que muito baixa, pra não dizer nula. Com uma rápida consulta que leva pouco mais de um minuto, encontrei vários sites que disponibilizam o Cast de Dublagem da Versão da Álamo de Dragon Ball Z, com uma exatidão muito grande nas informações. Será que apenas eu tive essa brilhante idéia? Nenhum Diretor/ Coordenador da BKS pensou nisso? Difícil...
Acredito que a única preocupação que nós fãs temos que ter, é referente aos profissionais que não dublam mais na casa. Isso realmente é um fato relevante. Já tenho a confirmação de que o Wendel Bezerra (Goku) já foi escalado e dublará já no primeiro dia (08/09). Idem com a Tânia Gaidarji (Bulma). Fátima Noya (Gohan) também já possui data marcada na escala. Raquel Marinho (Chichi) até o momento não foi contatada pelo estúdio, mas está disposta a dublar, caso seja chamada. Rita Almeida (Pual) e Angélica Santos (Oolong) se encontram na mesma posição. Wellington Lima (Raditz) já recebeu a ligação, mas não sabe se vai fazer, já que não trabalha para a BKS. Já vi fãs contatando o Carlos Campanile (Freeza) pelo Orkut, querendo saber se ele foi chamado. Até o momento não. Mas precisamos acompanhar a dublagem no seu dia após dia, e não ficar tentando saber se já chamaram o Figueira Junior ou a Eleonora Prado pra dublar os Andróides nº 17 e 18. Eles aparecem bem mais pra frente! No momento temos que voltar a atenção aos personagens que aparecem nos primeiros episódios: Gileno Santoro (Kame), Fabio Lucindo (Kuririn), Luiz Antonio (Piccolo), Fabio Tomasini (Kami Sama), Cesar Marchetti (Sr. Poppo), Zaíra Zordan (Uranai), Vagner Fagundes (Yajirobe), Marcio Araujo (Yamcha), Alexandre Marconatto (Ten Shin Han), Márcia Regina (Lunch), Úrsula Bezerra (Chaos), Alfredo Rollo (Vegeta) e Guilherme Lopes (Nappa). A expectativa fica por conta das escalações das novas vozes para o Rei Cutelo, Enma Dai Oh e o novo Narrador, substituindo o saudoso Daoiz Cabezudo.
Com o tempo, novos personagens vão aparecendo, e com eles, novas dúvidas. Em séries desse tripo, costuma-se gravar uma média de 5 episódios por semana, segundo informações já divulgadas por outros diretores de outras casas de dublagem. Estamos acompanhando de perto e torcendo para que tudo dê certo.












