domingo, 18 de abril de 2010

Parabéns, Rosa Maria

Outra talentosa dubladora comemora mais um ano de vida hoje. Ela é a Rosa Maria Rodrigues Baroli, conhecida no meio artístico com o apelido carinhoso de Rosinha. Rosinha tem uma carreira extensa em dublagem (além da direção), tendo participado ativamente das séries japonesas, época esta da dublagem que mais gosto. Ela é a atual esposa do Diretor, Tradutor e Dublador Gilberto Baroli. É mãe das também talentosas dubladoras Letícia Quinto e Luciana Baroli.


Dona de um timbre de voz doce e delicado, Rosinha encaixa sua interpretação com perfeição nos mais diversos personagens. Sua primeira participação nesse gênero de seriado foi em 1989, em Lion Man, dublando a Shizú, a moça que vivia dentro do império subterrâneo de Mântor do Diabo. Depois apareceu em Jiraiya, fazendo a voz da ninja maligna Manin Luana e algumas pontas. Fez também vários personagens secundários em Jiban. Mais tarde, em 1990, teve inúmeras participações em Goggle V e foi a Sra. Gín Kagâmi no capítulo 14 de Sharivan e a Eiko Kimúra no episódio 47 da mesma série. Nas 3 últimas séries da Everest exibidas pela Manchete foi que ela mais se destacou com personagens fixos em todas elas: Gash em Spielvan, Miho/ Princesa Yan em Maskman e Satie em Black Kamen Rider.



Acredito que a personagem mais lembrada por todos os fãs seja justamente a Satie, pois Black Kamen Rider foi a única das três séries que realmente marcou, numa época onde esse tipo de produção já dava sinais de cansaço na TV, já que todas as principais emissoras do país tinham pelo menos uma série do tipo na grade. Satie era a namorada de um dos personagens mais engenhosos dos seriados nipônicos nos anos 80, o Shadow Moon, que ocultava-se sob a face do meio irmão de Issâmu e irmão legítimo de Kyôko, o Nobuíko. Um antagonista a altura do herói, que vestia uma linda roupa metálica, mas que teve uma aparição apagada em sua forma civil.


Blackman, seu nome “abrasileirado” teve uma continuação no Japão no ano seguinte (1989), mas que só chegou ao Brasil em 1995. Os fãs esperavam rever o clima “dark” do seriado original e uma continuação da história sombria, mas os roteiristas resolveram reformular a série e praticamente não importaram nada da primeira criação. Assim sendo, a personagem de Rosinha não voltou no seriado.


Gash era uma personagem fixa, mas que falava pouco. Fazia Dueto com Shadow, (dublada primeiramente pela Dione Leal e posteriormente Nair Silva) e Lay, na voz de Alessandra Araújo. Já a Princesa Yan apareceu apenas no começo e no fim de Maskman, outra série que passou de forma despercebida pelos fãs, por não ter a mesma “simpatia” das antecessoras Changeman e Flashman.


Na parte de desenhos animados, lembro-me de ouvir a interpretação dela no desenho O Fantástico Mundo de Bobby, onde ela fazia a irmã do garoto, a Kelly. Uma curiosidade um tanto inusitada, é que durante anos, a sua voz foi usada como gravação padrão para quem ligava para a extinta TELESP, a empresa de telefonia do estado de São Paulo. A Empresa já não existe desde 1998, sendo comandada atualmente pela Telefônica, mas eu me lembro de ter ligado para solicitar algum tipo de serviço na época e ter ouvido a voz da Rosinha. Quando comprei meu primeiro computador (2001) e comecei a buscar informações sobre dublagem na internet, deparei-me com essa informação e automaticamente remeti a voz da gravação à voz da atriz.


Ouça a voz da Rosinha clicando aqui.


Fica aqui registrado uma singela homenagem à Rosa Maria, e que ele continue nos presenteando com dublagens de qualidade, ao lado de sua talentosa família. Parabéns!!


Observação: a postagem foi concretizada no domingo (18/04/10), que é a data da comemoração, mas por algum motivo que desconheço, o Blogger não estava permitindo a visualização.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Changeman Box 2 - Review

Continuando, conforme prometido nesta postagem, segue o Review sobre o segundo Box de Changeman.

Assim como na primeira caixa, a imagem contém uma tonalidade parecida, mas é superior em nitidez. Desta vez não tivemos nenhum capítulo do Toei Channel, embora outros fatores agravantes apareceram.





Focus/ Japan2000


- Áudio nos Previews – tiveram um pouco mais de cuidado e inseriram novos trechos inéditos até então. São eles:


42 – A Garota de Uniforme Escolar;

44 – Mai em Ação;

45 – Ayra, a Menina do Arco Íris;

46 – A Transformação de Shima;

48 – A Paixão de Buba;

49 – A Aflição de Shima;

50 – O Abalo de Gozma;

52 – A Morte de Buba;

53 – A Vingança de Ahames;

55 – Adeus, Heróis do Universo.


Ouça os trechos inéditos clicando aqui.


O Preview do Capítulo 37 – O Desaparecimento de Dragon é o mesmo "Frankstein" criado pelo Scheider, assim como na versão não oficial. Nos demais, as narrações que já existiam na versão caseira se repetiram, da mesma forma que os que não possuíam dublagem continuaram sem.


- Edição no título dos episódios – em quase todos os capítulos inibiram a fala “Versão Brasileira – Álamo”, trocando o bordão por um trecho aleatório de algum som de fundo (BGM) do capítulo. Nota ZERO para a edição, que ficou horrível e totalmente desagradável, além de desnecessária. Em Jaspion todos os áudios foram apresentados na íntegra, porque não fizeram o mesmo em Changeman? Apenas os capítulos 29 – A Lenda da Borboleta Dourada e 50 – O Abalo de Gozma não sofreram alterações. Ainda se tivessem pego a BGM original de Tatsumi Yano, disponível para download em qualquer site/ fórum sobre assunto... mas infelizmente não fizeram desta forma.


Clique aqui e ouça a BGM na íntegra do título dos capítulos de Changeman.


- Áudio lento em alguns capítulos – sinceramente, com esse descuido arruinaram de vez o Box. Os capítulos 47 ~ 53 estão com o áudio extremamente lento, como se fosse reproduzido num gravador cassete com a pilha fraca. As vozes dos personagens estão graves e horríveis. Uma pena, já que nesse caso deveria entrar um trabalho minucioso de edição, preferiram perder tempo retirando bordões consagrados da dublagem. Resultado: 7 capítulos com som aquém dos demais.


Clique aqui e confira um trecho do capítulo 53 com problemas.


Clique aqui e confira um trecho do capítulo 53 sem problemas, editado por mim.


No geral a qualidade dos áudios supera os genéricos, se não fossem as edições descartáveis e o problema com o áudio lento. Não há cortes, e apenas os capítulos 42 – A Garota do Uniforme Escolar, 44 – Mai em Ação e 48 – A Paixão de Buba apresentam pequenos detalhes como partes mais baixas de som e leves abafados.


Do ponto positivo, podemos destacar a arte de Yutaka Izubuchi, disponibilizados pelo Ricardo Cruz de seu acervo pessoal. Vejam algumas ilustrações:


Um detalhe interessante observado pelo colega Junior, que fez um comentário na primeira parte do Review, foi sobre a abertura de cada capítulo, onde precisamente nos capítulos 09 – A Bola Dragão Salva a Humanidade e 10 – O Toque dos Bonecos, tanto na versão em VHS da Everest quanto nos DVD’s do Japan2000, não consta nos créditos a presença do Jun Fujimaki (Sgto. Ibúki). Apenas aparece sua imagem após a apresentação da Mai, mas sem os Kanjis. Curiosamente no da Focus ele foi creditado. Comparando, achei mais uma trapalhada. Para os 28 capítulos do primeiro box, foram usadas apenas 4 aberturas, o famoso “Ctrl + C” e “Ctrl + V”, provavelmente para economizar tempo na hora da edição. Ficou assim:


Os créditos de abertura do 1º capítulo foram usados para todos os capítulos do Disco 1 (Episódios 1 ~ 6);

Os créditos de abertura do capítulo 07 foram usados apenas neste episódio;

Os créditos do capítulo 08 foram usados para o restante dos capítulos do Disco 2 e parte do Disco 3 (Episódios 8 ~ 16);

Os créditos do capítulo 17 foram usados intercaladamente com os créditos do capítulo 08 entre os capítulos 18 ~ 27;

Os créditos do capítulo 28 foram usados apenas neste episódio.


Dificilmente algum fã brasileiro sabe tão bem o japonês a ponto de perceber a diferença, mas fica registrado mais um descuido por parte da produção da coleção. Vale ressaltar que as aberturas do Box 2 estão corretas.


E esse foi o tão aguardado lançamento dos DVD’s de Changeman, o Esquadrão Nipônico de maior sucesso exibido no Brasil. Sem dúvidas um lançamento cheio de expectativas que acabou provocando a ira dos fãs do seriado. Os motivos foram os mais diversos possíveis, e já foram pauta em sites, blogs, programas, revistas e toda e qualquer tipo de mídia. Dispensa maiores comentários.


Fica aqui registrado minha opinião, com dor no coração quando olho para a linda e exuberante Lata contendo os Boxes na minha estante, imaginando a qualidade do que tem dentro.

terça-feira, 30 de março de 2010

Parabéns, Lucia Helena

Março está sendo um mês de festa neste Blog, e a aniversariante de hoje é a experientíssima atriz Lucia Helena Azevedo, profissional com mais de 30 anos de carreira, e que atuou ativamente nos anos 80, nas séries japonesas e em diversos filmes e seriados. Possui uma carreira exemplar tanto em dublagem quanto na direção.


Filha de Yolanda Cavalcanti, uma rádio atriz muito conhecida, marcou a vida de várias gerações de fãs dando vida a dezenas de personagens inesquecíveis. Das dublagens de desenhos animados, a que mais me lembro foi a Lucy de Snoopy, na MaGa. Já em seriados americanos, lembro-me de sua personagem em O Elo Perdido, junto ao Nelson Baptista (que dirigia a dublagem da série) e Gilberto Baroli.


Em 1986, quando começou a dublagem de Jaspion/ Changeman, Lucinha - como ficou conhecida no meio artístico - foi escalada pelos diretores Líbero, Nair e Baroli, fazendo diversos papéis nas séries citadas e nas posteriores. Até mesmo no Anime Comando Dolbuck, chegou a emprestar a voz para a Arôma (no capítulo 01) e o garoto Jack, curiosamente classificado como menina na Versão Brasileira. Em Jaspion dublou a Sáti e a Kanôko. Em Changeman, fez pontas, a Aira, e foi a segunda voz da Nâna adulta até o fim da série. Mas debutou mesmo em Flashman, fazendo a linda, jovial e marcante personagem Sara, a Yellow Flash. Inclusive este trabalho é considerado por ela mesma como o melhor de sua careira.



A Dublagem de Flashman é tida por muitos fãs como a melhor dublagem de um tokusasu exibido no Brasil, pois juntou inúmeros talentos e cada dublador recebeu um personagem extremamente compatível com seu timbre de voz e interpretação. Essa dublagem repercutiu de forma tão positiva, que até mesmo internamente, o time da Álamo, liderado por Líbero Miguel ganhou um jantar do Sr. Michael Stoll, proprietário da empresa, em agradecimento ao empenho de todos. Em Lion Man (Laranja), dublou a Shinobú, e no Branco fez a voz da Saôri. Foi a Máira, Kazúmi, Hananin Agnes (1ª voz) e Janne em Jiraiya e a Chefe Yôko em Jiban, estrelando ao lado do saudoso Carlos Laranjeira. Nos seriados de 1991 e 1992, Lucinha participou pouco. Fez apenas uma ponta em Metalder, idem em Machineman e Goggle V, e papéis secundários em Sharivan.


Chefe Yôko (Jiban) e Hananin Agnes (Jiraiya), dois trabalhos inesquecíveis da atriz:



Dona de uma voz bonita e com um timbre marcante, atualmente dirige na DublaVídeo, empresa do João Francisco Garcia. Neste estúdio, entre outros trabalhos, assina a competente direção da série Prison Break, um sucesso inquestionável.

Sua interpretação continua com a mesma essência, mas um pouco mais grave, devido ao passar dos anos, com o envelhecimento natural da voz. Uma profissional idônea, conhecida e adorada por todos no ramo. Com os fãs, é de uma simpatia ímpar e atenção idem. Esporádicamente participa de eventos e já foi entrevistada no programa Tokusatsu Show. Foi a melhor amiga de Carlos Laranjeira, um dos maiores profissionais de São Paulo na época. Se não fosse por ela ter cedido a foto abaixo, jamais conheceríamos o rosto deste excelente dublador.

Ouça a voz da Lucia Helena em Jiban clicando aqui!

Ouça um comercial de rádio contendo as vozes de Yolanda Cavalcanti, Lucia Helena e João Francisco clicando aqui!

Parabéns Lucia, tudo de bom e muitas felicidades ao lado de seus amigos, família e fãs!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Parabéns, Flavio Dias

O aniversariante de hoje é o experiente ator Flavio Dias de Oliveira, profissional este que marcou época com suas participações em dublagem.


mais de 30 anos na carreira de ator/ dublador/ narrador/ diretor de teatro, Flavio coleciona um leque gigantesco de personagens que ficaram marcados em várias gerações entre adultos e crianças.


O primeiro trabalho que me lembro dele foi feito nos estúdios da antiga TVS (atual SBT), sob a direção do saudoso José Soares: o Malvado, um dos inimigos dos Ursinhos carinhosos. Mais tarde, na Álamo, participou das séries japonesas, dublando os monstros Gômi e Mázo em Changeman, interpretou o cientista Muráta no capítulo 11 de Jaspion, pontas em Jiban e Sharivan, Son Goku/ Homem Macaco em Machineman, MS Noân (1ª voz) e Ypsilone Leviatã (2ª voz) em Metalder, Marcos no capítulo 27 de Spielvan, Ryossúke Súda em Kamen Rider Black e Akira Hojyo/ Marte em Cybercop. Este último, por ser um protagonista, foi o que mais marcou. Uma curiosidade um pouco triste é que no dia 05/05/2002, o ator Shôgo Shiotâni, intérprete do herói suicidou-se no Japão.



Outro trabalho de Flavio Dias que marcou para as crianças de meados dos anos 90 foi o Dinossauro Barney, seriado que seguia a linha de outra produção de sucesso, Bananas de Pijamas, exibido pelo SBT. Mais tarde dublou o protagonista do programa Mundo de Beakman, personagem este lembrado pela maioria dos fãs de seus trabalhos.




Na Gota Mágica, destacou-se com personagens chave em dois dos animes de maior sucesso dublados no estúdio: Julian Solo/ Poseidon em Cavaleiros do Zodíaco e Neflite em Sailor Moon. Infelizmente, quando Cavaleiros foi redublado na Álamo no início dos anos 2.000, Dias acabou não voltando para o personagem, pois teve algumas diferenças com a casa, e consequentemente não dublava mais lá. Caso parecido deu-se com o já citado Mundo de Beakman, pois a série ainda estava no seu apogeu quando Dias parou de dublar no estúdio, mas a distribuidora, contente com o sucesso do seriado não aceitou a alteração da voz do protagonista, trocando o estúdio e mandando a série para a Dublavídeo.



Além de ter uma voz ultra versátil e um timbre marcante, os personagens dublados por ele ganham a experiência de um intérprete ímpar na arte brasileira. Lembro-me de uma reportagem no TV Fama (Rede TV!) que vi há muitos anos, onde o entrevistaram, justamente quando começou essa “mania” de escalarem atores famosos/ Globais para alavancar o lançamento de algumas animações – no caso em questão era o nome do Bussunda no Shrek – e ele foi taxativo em sua crítica, dizendo que não concordava com a ação, pois embora ambos fossem atores com DRT, a arte da dublagem é diferente e exige uma experiência maior, já que o rosto do intérprete fica inibido aos olhares do público, restando apenas a interpretação através da voz. Sem contar o cachê, que se fosse de um dublador de 20 anos de carreira receberia cerca de 40% do que recebeu o Global, e o trabalho teria um resultado indiscutivelmente superior - vide o trabalho feito pelo Mauro Ramos após herdar o personagem.


Nesse tempo em que me comunico com ele por e-mail, sempre foi atencioso e sábio nas respostas. Sabe muito bem dos problemas que a classe de dubladores/ artistas de teatro vem enfrentando, aliados a falta de trabalho, o que acabou afastando-o temporariamente dos microfones. Ficou mais com a direção esporádica de seriados do History Channel, no estúdio ETC.


Segue um trecho de sua interpretação, e um link de uma matéria que saiu no Jornal da Cidade semana passada falando dele.


Ouça uma interpretação de Flavio Dias, dialogando com João Paulo Ramalho, João Francisco Garcia e Tatá Guarnieri clicando aqui!


Parabéns, feliz Aniversário e muitos anos de Vida, Dias!

terça-feira, 23 de março de 2010

Parabéns, Ricardo Pettine

Hoje, 23/03/10 é aniversário do ator e dublador Ricardo Pettine. Uma das “crias” da dupla Líbero Miguel e Nair Silva, Pettine consolidou-se na profissão fazendo também teatro e televisão, dentre eles até mesmo um especial para a rede Globo.


Com sua ex-mulher, Dione Leal, têm uma história interessante junto aos fãs das séries japonesas. A primeira participação do Ricardo em Tokusatsu foi no capítulo 31 de Changeman (O segredo de Bazoo), numa ponta dublando o Profeta do Universo Zeo, isso em 1986/ 87. Uma participação curta e singela, de um timbre de voz marcante e que mais tarde se proliferaria em várias séries do gênero.


Após essa participação, sua voz voltou apenas a aparecer em 1990, no seriado Lion Man, fazendo vozeirios e o Monstro Humano Batmau. Em 1991, participou dos capítulos finais de Jiraiya, fazendo a segunda voz do Kaminin Oruha, e Jiban, dublando o Cobranóide. Fez pequenas participações em Goggle V e Machineman, chegando ao auge de sua atuação no seriado Metalder. Neste, além de ter um personagem fixo, interpretou vários vilões marcantes, provando sua competência ao fazer diversos timbres de voz de maneira diferente. Seu personagem fixo era um dos quatro comandantes das tropas principais do Império Neróz, Dárvius.


Foi a primeira voz do Ômega Striker e Gama Fryman, Beta Kanidái, Alpha Brandêi e Ômega Guevara em diversos capítulos, e Alpha Táscitos e Delta Cornélius em todas as aparições. Em Sharivan interpretou o Hoshío Kitagáwa no capítulo 46. Em Black Kamen Rider interpretou o melhor personagem na minha opinião, o Espadachim Taurus. Como seu talento nesta época foi bem reconhecido, acabou ganhando o papel principal de uma série que narrava as aventuras de Guilherme Tell, que foi ao ar no Brasil pela Rede Bandeirantes.


Comandante Dárvius em Metalder

Taurus em Black Kamen Rider


Curiosamente, o nome deste dublador foi um dos mais difíceis de descobrir em todo esse tempo em que eu e os membros da Comunidade Dubladores de Tokusatsu estamos a procura de informações sobre essas dublagens dos anos 90. Justamente um ator que teve inúmeras participações, levamos anos retirando trechos de dublagens e enviando à dubladores e diretores da época, afim de desvendar seu nome. Eu particularmente não achava justo que um dublador que participou de tantos trabalhos fosse literalmente esquecido pelos colegas de profissão. E como eu imaginava, não foi. O problema é que não estávamos perguntando para as pessoas certas.


O meu amigo Marcelo Almeida enviou um trecho de áudio para o Elcio Sodré, que deu uma dica dizendo que se não se enganava, o nome do dublador era “Ricardo Petrini”. Com um nome em mãos, tudo ficou mais fácil. O próximo contato foi com o Francisco Brêtas, que disse que se lembrava sim desse profissional, mas que o nome correto era “Ricardo Petine”. Com uma grafia ainda incorreta do seu nome, saímos em busca de informações no Google, e finalmente acabamos chegando ao José Ricardo Pettine, que foi o secretário de Cultura da Cidade de Mongaguá, no litoral paulista e tinha sido candidato a vereador em 2004 na cidade. Numa matéria, havia um vídeo, e por esse vídeo ligamos sua voz a todos os personagens que ele deu vida.


Veja o vídeo contendo o Ricardo Pettine clicando aqui!


Ele havia deixado a secretaria fazia pouco tempo, e então eu tive a idéia de ligar na Prefeitura e pedir o celular dele. Bingo. Foi a primeira vez que consegui contatá-lo, e este me atendeu extremamente bem e me deu uma notícia ainda melhor: estava voltando pra capital e pretendia voltar a dublar. Acabei pegando seu e-mail e lhe passando alguns dados de casas e diretores de dublagem na ativa, e então passamos a nos corresponder esporadicamente.


Ouça a voz de Ricardo Pettine em Changeman:



Fica aqui registrado meus parabéns e o desejo de muitas felicidades e sucesso à esse grande dublador, que imortalizou muitos personagens nos seriados que tanto aprecio. Parabéns Pettine!!

domingo, 14 de março de 2010

Parabéns, Gilberto Baroli

Hoje, 14 de março é dia do aniversário de ninguém menos que Gilberto Baroli, um ser sagrado para os fãs de dublagem dos tokusatsu e dos animes.


Curiosamente, na mesma data nasceram outros talentosos profissionais como Castro Alves e Albert Einstein, brilhantes em suas profissões.


Baroli é um profissional que dispensa apresentações. Tem um currículo vasto em dublagem, desde a época da AIC, e junto com Líbero Miguel e Nair Silva, dirigiu os seriados japoneses a partir de 1986, na Álamo.


Além de dirigir, atuou em quase todas as séries. Foi o Sargento Ibúki, Monstro Espacial Zadós e Spider em Changeman, Zamurai, Gassâmi mais velho, Aigaman e Silk em Jaspion, Monstro Dokás, Shagún, Kekábi, Saháti, Gamúji e Român em Lion Man, 2ª voz do Dokusai em Jiraiya, Jissatsunóide em Jiban, Homem Diabo em Machineman, Google Robô e Camaleão Mozú em Goggle V, 2ª voz do Beta Douglas em Metalder, Fantasman em Spielvan, Chefe Sugata em Maskman e infinitos vozeirios e participações em outras séries que eu ficaria o resto da vida catalogando.


Mais tarde, a partir de 1993, incumbido da direção de quase todos os animes que foram dublados na Gota Mágica, continuou marcando a vida dos fãs dessas produções. Obviamente acabou dublando personagens chave em quase todas as séries que dirigiu: Saga de Gêmeos, Dócrates, Kanon de Dragão do Mar (também na redublagem feita na Álamo) dentre outros em Cavaleiros do Zodíaco, General Red em Dragon Ball, Scorpio e 1ª voz do Diávolo em Samurai Warriors, 2ª voz do Hudler em Fly, Gênio Ceres em Rayearth dentre outros. Após o fim da Gota, Baroli continuou dublando, dirigindo e traduzindo em outros estúdios.


Não há quem não conheça esse profissional. Provavelmente, tudo o que poderia ser feito no ramo, com certeza Gilberto Baroli fez. Deu espaço para muitos dubladores entrarem no mercado de trabalho - profissionais este que conseguiram conquistar uma estabilidade considerável no meio artístico. Também não é errado dizer que ele conheceu todos os profissionais da dublagem, de todas as gerações, desde que começou, pois nunca abandonou este trabalho.


Em meados dos anos 2.000, seu filho Hermes Baroli, junto com sua ex-esposa Zodja Pereira criaram o estúdio Dubrasil, ministrando aulas de dublagem e realizando trabalhos grandiosos, principalmente na franquia Cavaleiros do Zodíaco. A segunda e terceira fase de Hades, juntamente com a redublagem dos Movies foram feitos no estúdio. Mais recentemente, em Setembro de 2009, a nova animação, o Lost Canvas, teve seus primeiros capítulos dublados na empresa, e a Focus Filmes, que distribui o anime, diz que já assinou contrato para mais 13 episódios para esse ano.


Gilberto, com certeza é o meu dublador preferido, pois além de dar vida a vários personagens que acompanho desde que tinha 5 anos, participou ativamente traduzindo, adaptando e escalando outros profissionais esplêndidos para dar vida aos personagens destas produções. Tive o prazer em conversar com ele por duas vezes via telefone (uma delas hoje). Atendeu-me com uma educação que não há como descrever. Apresentei-me como um mero fã, e este engrenou um diálogo comigo que durou mais de 40 minutos. Isto porque estava no celular, imaginem se estivesse num ambiente mais confortável, falando de um telefone fixo. Dono de uma inteligência ímpar, fala mansa e frases bem construídas, é bem surreal conversar com uma pessoa como ele, pois ouço sua voz há tanto tempo que parece que somos amigos de longa data. Falamos sobre seriados, dubladores, diretores, história da dublagem, enfim, “n” assuntos que futuramente serão pauta aqui neste espaço. Também estou tentando marcar uma data para conhecê-lo pessoalmente.


Por enquanto, fica uma entrevista (em áudio) muito legal que o pessoal da Rádio (e banda) Wasabi fizeram com ele, e outra (escrita) que o amigo Marco Antônio postou em seu Blog. Um bate papo descontraído e interessante.


Vida longa a este profissional cujo nome, quando é citado, é sinônimo de qualidade e seriedade, seja ele em dublagem, direção ou tradução.


Parabéns, mestre Baroli!