sexta-feira, 5 de julho de 2013

30 anos da Rede Manchete

Há cerca de três semanas, recebi esta preciosidade gentilmente cedida pelo amigo carioca Cláudio Roberto, que teve o privilégio de estar presente na noite de lançamento deste maravilhoso documentário em comemoração pelos 30 anos da Rede Manchete de televisão, caso ela ainda estivesse no ar.

A data comemorativa deu-se em 05/06/2013, e alguns estudantes de jornalismo (e fãs órfãos) da UFRJ assumiram a empreitada de fazer um trabalho incomensurável como este, e contar em cerca de uma hora e vinte minutos de produção, boa parte de tudo aquilo que significou a TV idealizada e presidida pelo grande ícone chamado Sr. Adolpho Bloch.

Não há muito o que adentrar no material, pois logo isso vai ser disseminado pela internet afora, e todos os simpatizantes terão acesso. Então, não é meu intuito descrever com palavras tudo aquilo que foi apresentado. Mas, pelo menos pra mim, a Manchete foi algo mais. E por este motivo, sinto-me na obrigação de tecer alguns comentários, pois, além de marcar época para uma geração inteira, a rede, por intermédio de sua programação, em muitos aspectos, norteou minha vida.


É fato que foi uma empresa privada, e como tal, o mínimo que precisava ser feito era gerar lucro. E, para tal fim, o caminho foi tortuoso, ora com altos índices de audiência e programação equiparada à gigantesca e inatingível Rede Globo, ora amargando reprises de novelas e poucos capítulos de desenhos ou séries, sem esquecer da venda de horários para Igrejas ou produções independentes, como as incansáveis ofertas do Grupo Imagem. Também não é novidade que o conglomerado acabou da pior forma possível, deixando dívidas milionárias contra o governo e ex-funcionários e colaboradores. Mas a mim cabe apenas citar aquilo que vivi diretamente, por intermédio da tela da TV.

Quando a emissora estreou, eu tinha apenas dois anos. Então, não acompanhei tudo, mas comecei justamente no final de 1987/ começo de 1988, quando as séries Jaspion e Changeman causaram um estrondo inigualável, tendo suas aventuras espalhadas por todo o país com sinal emitido diretamente da Rua do Rússel. O meu fascínio foi tão grande que até abandonei os desenhos He-Man e Thundercats, que tanto adorava da Globo para migrar para a concorrente. Isso também teve o seu lado negativo, pois acabei perdendo muitas coisas legais em outros canais, como por exemplo a exibição do clássico Zillion.


Flashman, Jiraiya e Jiban foram as sucessoras, que agradaram de forma ímpar e a altura das antecessoras. Assim foi até 1991, quando as novas séries (e últimas deste período) estrearam: Cybercop, Maskman, Spielvan e Black Kamen Rider. Em 1992, confesso que dei uma enjoada, e abandonei esse nicho. Não lembro o que via na tv nesse hiato, mas, em 1994, o novo "Jiban" (Winspector) acendeu novamente a chama do fã de tokusatsu que chegou quase a se apagar. E, já em seguida, Os Cavaleiros do Zodíaco. Aí a Manchete me "comprou" novamente. Desta vez de "papel passado". E assim foi até o fim, o último dia, eu lá, torcendo para que aquele símbolo clássico da letra M, "de lado" na tela da TV, com um relógio no canto inferior direito não desaparecesse. Mas desapareceu. E com ele, uma época saudosa e inalcançável da minha vida.

Também em 1990, quando eu tinha apenas nove anos, meus pais renderam-se ao fenômeno Pantanal. Lembro de muitas vezes ter ficado até mais tarde na sala, acompanhando aquelas imagens lindas do estado do Mato Grosso. E no ano seguinte, a reprise direta de A História de Ana Raio e Zé Trovão, por volta das 18:00 hs eu assisti na íntegra. Saia voando da escola (o sinal batia às 17:50) e corria feito doido pra não perder sequer a abertura. A título de curiosidade, a tal escola ficava há sete quarteirões de minha casa.

Mas, perto do fim, eu tive uma outra felicidade indescritível. Foi ao ver esta chamada:



Há anos eu procurava de todas as formas possíveis um jeito de rever (ou ter) a série do Jiraiya completa. Lembrava-me dos tempos áureos, onde esta série estava alocada num lugar muito bom dentro da minha memória, mas não havia nada. Alugava sempre as mesmas três fitas que tinha na locadora daqui: A Emboscada (minha preferida), As Sete Sombras e a Espada de Shinguen. Peguei o telefone da Santa Alice - a representante da distribuidora Top Tape na capital paulista -  que havia no encarte da VHS, mas a empresa já não existia mais. Um amigo da família passou em frente ao endereço que constava no mesmo encarte, e nada. Nenhuma pista. Mas algo dentro de mim dizia pra eu não perder as esperanças. Então, quando vi aquele comercial, a emoção tomou conta.


É claro que houveram inúmeros fatores que prejudicaram e fizeram com que o sonho não terminasse da melhor forma possível, mas não tenho do que reclamar, apenas do que arrepender: de não ter gravado em SP. Os 10 primeiros capítulos foram repetidos a exaustão, e quando soltavam novos, cerca de mais uns 10, tome-lhe reprise de novo. Até que chegaram ao cúmulo de passar um lote, e, quando ia ao ar o último do lote, como por exemplo o 34, no dia seguinte passavam o 35, e voltava desde o primeiro. Isto era uma agressão ao telespectador, digno de fazer um B.O. Na época foi sofrido, mas hoje deixa saudades. E foi uma pena maior ainda terem exibidos apenas 38 episódios de um total de 50. Porém, mais adiante, com a propagação da internet, pude ter em DVD essa série completa.


Outra felicidade difícil de explicar com palavras foi ver em 2009 o SBT reprisar o Pantanal. E alguns anos depois, a Ana Raio e Zé Trovão. Acompanhei todas de cabo a rabo. Este foi o último contato direto que tive com produções do passado da Rede Manchete.


Um pouco antes do lançamento do documentário, eu havia acabado de ler o livro do Elmo Francfort, que foi disponibilizado gratuitamente pela Imprensa Oficial neste link. Outro trabalho de mestre que, de mãos dadas à produção audiovisual, narram um percentual considerável da história da TV Manchete do ponto de vista de quem por lá passou. "Causos", curiosidades, detalhes técnicos, datas, tudo muito bem pesquisado e escrito.


E, pra fechar com chave de ouro minha singela homenagem à menina dos olhos do Sr. Adolpho, há alguns dias foi publicado no facebook um link contendo um folder de apresentação, pela empresa que está terminando a restauração e repaginação do edifício sede das empresas BLOCH. Clique aqui para acessar. Pouparam grande parte da idéia original do Sr. Oscar Niemeyer - não havia motivos de não o fazerem - e isso me deixa muito feliz ao saber que pelo menos o local onde esta fábrica de sonhos denominada Rede Manchete foi gerada, está sendo conservado e preservado para o futuro. A história é algo muito importante. O que acontece no presente é reflexo total dos fatos do passado. Talvez amanhã esteja funcionando ali uma empresa que nada tem a ver com o que aquela construção abrigou desde sua inauguração, mas em contra partida não vai ser demolida ou ficar abandonada, acabando-se aos poucos.


E, neste último parágrafo, não posso deixar de citar as inúmeras incertezas e mistérios que rondam o acervo da extinta emissora. Chegam até mim os mais diversos tipos de informações, de forma aleatória e teórica, porém, a certeza absoluta nunca vêm. O Acervo foi leiloado, e quem arrematou os móveis doou as fitas para a TV Cultura, conforme esta matéria? Este acervo está realmente lá e catalogado? O Governo, inicialmente não tinha interesse em ajudar a resolver o imbróglio sobre os direitos autorais, e de uma hora pra outra, resolveu se mexer, e tudo foi (ou será) encaminhado para a Cinemateca digitalizar? Mas a Cinemateca não estava passando por dificuldades? Então, como existem materiais oficiais da emissora sendo vendidos no Mercado Livre? E os materiais de terceiros que não puderam ser retirados da emissora nos últimos anos por conta de uma ordem judicial? Será feita digitalização desse material também? Mistérios e mais mistérios, coisa muito comum neste país. Embora muita coisa eu já tenha pesquisado, só me resta, assim como a outros milhares de fãs, torcer. E esta é uma posição que particularmente não me agrada.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Tereza Marinho, a voz da Junko

Continuando minhas publicações, apresento agora a Tereza Marinho, dubladora da policial feminina Junko, da série Winspector.

Esta série, já citada em outra postagem, estreou na Rede Manchete em meados de 1994, numa época onde as crianças - e também os adolescentes - já estavam cansados das reprises exaustivas de Jaspion, Changeman e Flashman nas tardes da TV Record.

Winspector chegou alguns meses antes do mega estrondo Cavaleiros do Zodíaco, e por ter sido dublada no mesmo estúdio (a primeira fase do anime foi feita ainda na Marshmellow, mas com o nome da nova empresa que estava surgindo: Gota Mágica) e praticamente ao mesmo tempo, tiveram muitos dubladores em comum, como por exemplo Marcelo Campos e Hermes Baroli.



Quem pôde ver esse novo seriado japonês, já de cara deparou-se com uma "evolução" em relação aos que passavam na Record ("herança" da TV Manchete), uma vez que aqueles foram filmados em 1985/86 respectivamente. Já o Esquadrão Especial, fora gravado/ exibido no Japão no ano de 1990. Haviam mudanças significativas no enredo, imagem e narrativa das histórias.

A equipe de subordinados do comandante Masaki (Daoiz Cabezudo), Fire (Marcelo Campos), Biker (Hermes Baroli), Highter (Affonso Amajones) e Junko (Tereza Marinho), fugia um pouco do clichê, e não enfrentava seres de outro planeta - salvo numa história específica - ou monstros mutantes. Tratava-se de uma espécie de "Corpo de Bombeiros" de alta tecnologia, com trajes diferenciados, lidando com situações perigosas e inusitadas do cotidiano dos humanos.


Tereza começou na dublagem no início dos anos 90, mais precisamente em 1992, época em que Nair Silva era Coordenadora Artística da lendária Álamo. Outros nomes que deram início nas atividades nesta arte no mesmo período e local, foram os já citados Marcelo Campos e também o Carlos Falat. Outra pessoa importante no meio e que também norteou seu início de carreira, foi Jorge Barcellos, a voz clássica do Égon, dos filmes/ desenho animado Caça Fantasmas. E justamente o Falat, foi aquele que me ajudou a reconhecer a voz da Marinho, e também apresentou-me o seu perfil nas redes sociais, ainda na época do Orkut.

Após o ponta-pé inicial, rapidamente começou a trabalhar em outros estúdios conhecidos, como Sigma, e Marshmellow, e mais pra frente BKS, Centauro, Tempo Filmes, Clone e Windstar, dentre outros.

Formou-se em teatro pela CPT (Centro de Pesquisa Teatral), e por lá encenou diversas peças como Macunaíma e Rosa de Cabriuna. Voltado ao público infantil, fez Trenzinho Vila Lobos e A Cuca Fofa de Tarsila.

Alguns exemplos de papéis na dublagem: fez a voz da Cleópatra em determinada produção, filmes como Don Juan de Marco (fazendo a mãe do protagonista), inúmeros documentários para a Discovery, vários desenhos e séries, enfim. Paralelo a dublagem, fazia também locuções comerciais e spots de rádio. Por determinada época, diminuiu um pouco o ritmo na arte, dedicando-se ao estudo de traduções Ibero-Americana, e também passou seis meses no Canadá, tendo como atividade a produção cultural. Ultimamente, tem visitado as casas de dublagem e vem aumentando o ritmo de trabalho a cada dia.

Abaixo, ouça a voz da Tereza Marinho dublando a série Winspector:

sábado, 11 de maio de 2013

Conheçam Marcelo Coutinho

Durante minhas pesquisas sobre dublagem em seriados japoneses, mais precisamente na série Winspector de 1994, feita na Windstar (estúdio da Marshmellow locado para a realização desta versão brasileira) e dirigida pelo Emerson Camargo, deparei-me com uma voz que desconhecia.

Essa voz tinha uma entonação forte, e uma leitura muito bonita, e foi escalado por diversas vezes no decorrer da trama. O personagem de maior destaque, um vilão, foi o Sabúro Muráta, do capítulo duplo "O Homem Cópia".

Também havia ouvido este mesmo dublador em animes do começo dos anos 90, na Dublavídeo, como em Fatal Fury e O Espadachim Ninja (outrora chamado de "Espadas dos Ninjas"). Inclusive, eu lembrava desta voz em produções dos anos 80, quando a TVS fazia dublagens. Tirei uma amostra de áudio e comecei a busca.

O primeiro contato foi com a Tânia Gaidarji. Ela ouviu e acertou na primeira. Vale lembrar que já há algum tempo, eu tinha conversado como Emerson Caperbat a respeito do seu início na dublagem, ele tinha citado o nome do Coutinho. No entanto, nesta época, era apenas um nome sem voz para meus registros. Em seguida, comecei a procurar meios de como saber algo a seu respeito, já que no Google não havia nada. Raquel Marinho me contou que começou a dublar com  ele, que foi diretor na Dublavídeo por vários anos, e Carlos Campanile me disse que ele apresentou o Siga Bem Caminhoneiro, nas manhãs de domingo, no SBT, em determinada época. Era o que eu precisava pra encontrar um vídeo no Youtube. Créditos ao usuário feneme.

Por fim, procurei saber sobre seu paradeiro atual, já que há anos não ouvia mais a voz dele. Foi então que fiquei sabendo que havia se afastado do meio artístico por motivo de saúde. Relendo o livro do Nelson Machado, o Versão Brasileira, havia uma citação ao estúdio Timecode, que era do Coutinho. Então, falei com a Cecília Lemes, que dubla em todas as casas de São Paulo, e ela me disse que estes estúdios estavam locados para o Raul Schlosser, onde funcionava a Cooperativa Uniarthe.

Há duas semanas, o Raul foi o entrevistado do programa Papo com o Machado, e eu enviei uma pergunta a respeito do Coutinho, pois não se sabia nem mesmo se ele havia falecido ou não. E foi onde ele respondeu, dizendo que ele sofreu dois infartos que deixaram sequelas, impedindo-o de trabalhar. Atualmente, mora em Sorocaba-SP, e pelas complicações do ocorrido, tem que viajar para a capital duas vezes por semana, por motivo de tratamento, com sua esposa Olga.

Infelizmente não pude encontrar mais informações sobre este excelente profissional, que por tantos anos nos brindou com trabalhos diferenciados em dublagem e direção. Vale lembrar que, curiosamente, existe um homônimo no Rio de Janeiro, que também é dublador.

Fica registrado neste espaço uma singela homenagem a este grande ator que, até então, pelo que pesquisei, tinha seu nome desconhecido pelos inúmeros fãs da dublagem paulista.

Aqui, um vídeo de seu trabalho no Siga Bem Caminhoneiro. Não foi possível precisar a data:



Aqui, um trecho de sua dublagem na série Winspector, de 1994:



Desejo tudo de bom para o Marcelo Coutinho, e que sua família tenha forças e saúde para cuidar dele.

quarta-feira, 28 de março de 2012

70 Anos de Gilberto Baroli

No penúltimo Domingo, dia 18/03, a família do grande dublador Gilberto Baroli preparou uma festa surpresa para o mesmo, no Golden Grill & Pizza, em São Paulo. Foi o evento de comemoração de 70 anos de idade deste ídolo de muitas gerações, que acumula trabalhos desde a época da histórica A.I.C. - SP até hoje, firme e forte no ramo.

Há algumas semanas, a sua filha mais nova, Luciana Baroli entrou em contato comigo, comentando o que planejavam fazer, e se eu tinha algum material de trabalhos dele pra montarem um vídeo; pedido este que foi prontamente atendido, pois eu gosto muito dos trabalhos do Baroli, e venho consumindo (e colecionando) muita coisa do que ele faz há mais ou menos 20 anos. Eis que não só fiquei radiante por poder ajudar a proporcionar esta homenagem, mas também recebi o convite para participar da festa!

Fiquei muito lisonjeado com essa consideração por parte dos familiares, mas era fato que pra mim, que moro há 120 Km da capital, ficava complicado. Mas como ainda tinha tempo, fui amadurecendo a idéia, analisando trajetos pelo Google Mapas, e, vendo que não era um bicho de 7 cabeças - pois fica já na entrada da capital, na Marginal Tietê - e ainda tendo uma colher de chá no dia seguinte, já que dia 19 de Março é dia de São José, feriado, Padroeiro de minha cidade, resolvi criar coragem e participar deste evento.

Chegamos (eu e minha esposa) por volta das 19:30 horas, após algumas "doideiras" do GPS. Toda a família já estava por lá na espreita do aniversariante, que chegaria às 20:00 hs. Cumprimentei a Zodja Pereira e o Hermes Baroli, conhecidos de longa data. Em seguida encontrei a Luciana e seu marido Judô, junto com o Elcio Sodré. Elcio já é um dos meus contatos há algum tempo, inclusive fizemos juntos a gravação de uma entrevista especial para o Grupo Tokusatsu, conforme esta postagem. Pudemos finalmente nos conhecer pessoalmente. Depois cumprimentei o Hiram, o filho mais velho da Zodja com o Gilberto. Assim, procuramos um lugar e nos sentamos, enquanto a Luciana e o Robson Kumode faziam alguns ajustes no vídeo que iriam exibir.

Na hora combinada, chega a Rosinha junto com o marido, e seguem para o outro lado do recinto. Ele nem olhou para o canto esquerdo, onde todos estávamos. Luciana e sua irmã Leticia Quinto foram buscá-los, de modo que assim que entraram, todos em pé o saudaram com o tradicional 'Parabéns', seguido de um MORRA SEIYA coletivo. Ele ficou muito emocionado, pegou o microfone, e começou a dizer algumas palavras de carinho e gratidão por todos que ali estavam.

Em seguida, chegou um ator vestido de branco, todo caracterizado como machucado, ensanguentado e esfolado, dizendo ser o anjo da guarda do homem, que após 70 anos estava pedindo demissão. Contou diversas passagens - a maioria delas desastrosas - da vida do Baroli, como por exemplo quando quebrou a clavícula ou bateu o carro do filho ao tentar aprender a dirigir, etc. Foi hilário.

Do pessoal que eu já conhecia pessoalmente, ali estavam a Marli Bortoletto (que foi embora cedo), e a Úrsula Bezerra. O Elcio veio até onde estávamos e ficamos um tempo papeando sobre a dificuldade em encontrar fotos e informações de alguns dubladores clássicos que já faleceram. A Zodja também chegou por ali e ficamos conversando, pra variar, sobre coisas do passado. Falamos sobre estúdios que não existem mais, alguns trabalhos dos anos 80 e algumas pessoas que descobri recentemente que fizeram dublagem nesta época. Pedi pra que ela me apresentasse a Letícia, que até então eu só tinha contato por e-mail. Uma pessoa muito educada e agradável.

Em seguida, como ainda tinha estrada pra pegar, começamos a nos despedir das pessoas e agradecer o convite. Neste momento, fiquei conhecendo pessoalmente o Diego Lima, um dos dubladores da nova geração, que eu já conhecia por fotos e seguia no Twitter há algum tempo. Ele me reconheceu quando foi se despedir da Zodja, inclusive elogiou meus textos e o meu Blog, sinalizando a postagem sobre os bastidores de dublagem na TVS. Um cara muito gente fina. Só não consegui falar com a Úrsula; quando percebi, ela já tinha saído.

Pude conversar um tempinho com o anfitrião da festa, que inicialmente não se lembrou de mim. Mas também é complicado, pois ele é ovacionado em todo lugar que frequenta, e dado a quantidade de pessoas que ele tem costume de interagir, é difícil mesmo. Se bem que nos falamos ao telefone por algumas vezes, e nos conhecemos pessoalmente no Anime Friends do ano passado, em Julho. Ele me agradeceu muito por resgatar os vídeos de tantos personagens que ele fez ao longo dos anos, com um abraço generoso. Disse que "até a Vovó do Crime vc encontrou?", personagem no desenho Superman Animated, dublado na Centauro em 1997, sob a direção da Thelma Lucia.

E este foi um pequeno registro escrito dessa festa única na vida de quem lá esteve. Vou ver se consigo o vídeo da homenagem com algum familiar, pra postar por aqui. Houveram muitas fotos antigas, bem interessantes, sem contar alguns testemunhos de fãs, amigos e familiares.

Saúde, sucesso e longa vida, Gilberto Baroli!

Personagens dublados por ele que eu consegui encontrar em meu acervo pessoal:

2ª voz do Robô - Perdidos no Espaço - A.I.C.-SP (agradecimento especial à Marco Antonio dos Santos);
Sargento Ibúki - Changeman - Álamo;
Aigaman - Jaspion - Álamo;
Kekábi - Lion Man - Álamo;
Dokussái - Jiraiya - Álamo;
Jissatsunóide - Jiban - Álamo;
Chefe Sugáta - Maskman - Álamo;
Fantasman - Spielvan - Álamo;
Saga - Cavaleiros do Zodíaco - Gota Mágica;
Coronel Red - Dragon Ball - Gota Mágica;
Ceres - Guerreiras Mágicas de Rayearth - Gota Mágica;
Hudler - Fly, o Pequeno Guerreiro - Gota Mágica;
Scórpio - Samurai Warriors - Gota Mágica;
Kilokhân - Super Human Samurai - Gota Mágica;
Vovó do Crime - Superman Animated - Centauro;
Dodória - Dragon Ball Z - Álamo.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Voltando a ativa

Mais um ano se passou e este espaço já comemorou sua segunda primavera. E, por incrível que pareça, recebo relatórios semanais - mesmo ficando algum tempo sem postar nada - mostrando que o número de visitas são corriqueiras e satisfatórias. Já vinha pensando em algum tipo de “comemoração” deste segundo aniversário (e do terceiro que já não está tão longe...), mas a falta de tempo costumeira não foi revertida em prol do blog. Várias coisas passaram pela cabeça, como, no mínimo, uma reformulação, mas não poderei mexer com isso neste momento.

Venho passando por várias mudanças na minha vida pessoal e profissional, o que acaba limitando o meu tempo dedicado ao hobby. É sempre bom deixar claro que normalmente a palavra HOBBY é amarrada a algo descolado, sem preocupações ou compromissos, mas sem deixar de lado a seriedade e o bom senso. No meu caso, é exatamente o inverso. Sempre soube, desde que comecei a pesquisar e escrever sobre os assuntos que abordo frequentemente por aqui, que havia campo – e também uma certa necessidade – de desempenhar aquilo que faço. Ao mesmo tempo, sei que não sou indispensável para o mundo da dublagem em si, mas fico contente em poder colaborar, mesmo que pouco, para que a época em que vivi e mais consumi essa arte seja disseminada e explicada. Outra coisa que me deixa animado, é saber que tem gente que, do seu jeito, faz também um ótimo trabalho, pesquisando, analisando, catalogando e conversando com os profissionais que há tanto tempo nos brindam com produções ímpares. Cito um exemplo do amigo Gerson Ferreira e seu site Casa da Dublagem, que faz atualizações frequentes.

Estou focando os tais acontecimentos (todos muito bons, graças a Deus) em minha vida fora da rede, seguindo o curso natural da evolução. Pretendo mudar algumas coisas em um dos meus trabalhos, começar outras e planejar o fim de determinadas funções em médio prazo. Por trabalhar em dois lugares, estou sempre no emprego “A”, acompanhando o que acontece no serviço “B”, e vice versa. Não vou ser hipócrita e dizer que trabalho feito louco, mas os afazeres são constantes, a ponto de passar uma semana e eu não ter tempo nem de dar uma zapeada pelo Facebook. Orkut e Twitter já são praticamente coisas do passado. Só não encerro mesmo por dó. E, tendo um dia de jornada inflexível como os que eu venho tendo, quando chego em casa, normalmente após as 18:00 hs, não dá muita coragem de assumir esse terceiro tempo de minha empreitada.

Já nos fins de semana, existem obrigações que um homem casado (e até mesmo os solteiros) tem que resolver: um chuveiro necessita de uma limpeza aqui, uma troca de torneira ali, um ventilador acolá, enfim. Como bom Taurino que sou, ser sistemático e não ter ânimo pra começar algo que saiba que não vai conseguir terminar, acabo deixando pra outra hora. Até tentei reverter esta situação, me policiando neste sentido, mas se eu dou inicio há alguma coisa e tenho que parar sem concluir, isso resulta num mau humor insuportável, algo que sinto que faz mal pra mim e pra quem está perto – entenda-se esposa.

Mas não estou redigindo este texto pra reclamar não. Só uma pitada do que realmente eu penso e acontece em minha vida. Por este motivo também, acabo não conseguindo dar uma continuidade para conversas com amigos de longa data, novas amizades ou coisa do tipo. E assim vai, e os meus planejamentos para o futuro visam corrigir essas ações falhas, mas seria uma utopia pensar que tudo vai acontecer do jeito que eu vou prever. O Caminho é sempre tortuoso.

No mais, peço desculpas para aqueles que podem estar esperando algo mais de mim, mas estou longe de deixar a peteca cair. Só dei um breque, pra tentar me estruturar melhor, e voltar a pesquisar e postar num ritmo coerente. E essa hora chegou novamente. É hora de recomeçar. Como todos dizem que o Brasil só começa a funcionar após o Carnaval, então vamos lá. E notícias e novidades eu tenho bastante, inclusive novas descobertas, mas falta alguma coisinha pra ficar completo e virar uma publicação. E, fazendo uma jogadinha de marketing, digo-lhes que não perdem por esperar. Estou por aqui, devagar mas sempre. Um e-mail pra dublador aqui, uma ligação telefônica ali, alguns projetos de encontros pessoalmente e novas amizades sendo feitas nas redes sociais. Até a próxima postagem!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Conhecendo a Álamo

08/06/2011 foi um dia marcante na minha vida. Uma data que vai ficar cravada na minha memória pra sempre, pois tive a oportunidade de conhecer nada mais nada menos que o prédio da lendária Álamo, a maior e mais completa empresa de dublagem de São Paulo. Uma fábrica de sonhos, que acompanho através dos trabalhos ali realizados desde a minha infância.

Tudo começou com a notícia bombástica veiculada no começo do mês de maio, à respeito do fechamento da empresa. Através do Twitter, Hermes Baroli, um dos primeiros a ficar sabendo, comunicava a todos a triste realidade . Foi um choque total para os fãs, para os dubladores, e também para os colaboradores da empresa. Automaticamente, o assunto repercutiu por todos os cantos, e inúmeras suspeitas foram levantadas - a maioria delas sem fundamento algum: falência, inadimplência, má administração, dentre outros. Comunidades no Orkut, fóruns de discussão, sites especializados e pessoas comuns, por intermédio das redes sociais, começaram a correr atrás de respostas sobre o porque de um acontecimento desta magnitude, jamais imaginado.

Não há dúvidas que muito material preciso e esclarecedor foi publicado, como entrevistas com dubladores e gente que estava ligada diretamente à administração da empresa, começando a sanar algumas das tantas interrogações à respeito deste assunto. Mas um sentimento era unânime: a tristeza, compartilhada literalmente por TODOS, cuja arte ali criada tenha atingido, indepentende da forma.

Para mim foi um choque. Confesso que travei, minha mãos se congelaram, o coração disparou, a garganta se afunilou, e não contive as lágrimas. Sentimento este que está se repetindo neste exato momento, ao relembrar. Como pode um império construído com tamanha solidez, por quem sabia o que estava fazendo, simplesmente acabar? E por que? Depois de alguns anos críticos para a arte (segunda metade dos anos 2000), aparentemente tudo havia se encaixado; o trabalho existia, a demanda era crescente, e além de tudo, jamais a empresa havia sequer dado indícios de algum tipo de problema interno que resultasse nesta atitude.

Aos poucos, relatos de dubladores (e até mesmo de funcionários) começaram a aparecer, e as primeiras teorias maldosas começaram a ruir. Não havia declaração de um porta voz oficial, mas era sabido que, analisando o cenário atual, o modelo atual da empresa - a nível estrutural - não era mais compatível com este mercado, e estratégicamente, a pessoa a frente do conglomerado havia decidido colocar um ponto final e "terminar" de uma forma digna e coerente, do que insistir na tentativa e possivelmente acabar como os demais estúdios históricos, que fizeram muito sucesso em suas épocas, e tiveram finais nada gloriosos. Nelson Machado teve a oportunidade de ficar cara-a-cara com com esta pessoa, numa das mais emocionantes entrevistas que pude presenciar:



Ainda assim inconformado, redigi um texto contendo uma homenagem, falando exatamente o que eu via e sentia mediante aquilo que era veiculado, tal qual estou fazendo neste momento. Era apenas o meu ponto de vista. Trata-se desta postagem, que jamais imaginaria que iria chegar onde chegou.

Alan Stoll, o proprietário da empresa, leu o meu texto e me contatou, via Facebook e e-mail, agradecendo as palavras de um simples simpatizante para com o produto que era concebido dentro das dependências de sua organização. E assim, inesperadamente, diante de todos os problemas que vinha enfrentando, encontrou uma brecha e me convidou para conhecer a Álamo. Não é possível descrever com palavras o que senti ao ler aquela mensagem, que está guardada até hoje em minha caixa de e-mails.

Na data mencionada anteriormente, segui viajem rumo à São Paulo, optando por transporte coletivo rodoviário. Chegando no terminal do Tietê, embarquei no metrô e segui o meu trajeto com sentido à estação Vila Mariana. Cheguei por volta das 15:00 horas. Em frente ao prédio, do outro lado da rua, fiquei um tempo admirando a fachada, que guardava o tom clássico de uma construção civil dos anos 70. Particularmente gosto muito desse modelo de prédio. Então, tomei coragem e atravessei a rua, rumo à portaria/ interfone.

Abro um pequeno parêntese pra deixar mais claro o itinerário que percorri conhecendo o local: o predio pioneiro, o da esquerda (01), é onde fica a Recepção e os Estúdios de Captação - gravação das vozes - na parte dos fundos. No segundo andar, está localizado a Administração e o Refeitório. A construção mais recente, a da direita (02), agrega as Salas de Mixagem e a Sala de Cinema.

Pedi pra falar com o Sr. Alan, que não estava na empresa. Comentei que havia recebido um convite, que foi prontamente confirmado e atendido pela recepcionista, que no mesmo momento autorizou a minha entrada. Avistei então a famosa rampa de chegada. Era nítido que estava maravilhado com tudo aquilo.

Neste momento, o Sr. Pedro Tadeu Covo, um colaborador que sempre esteve ao lado do Sr. Michael Stoll - e continua trabalhando ao lado do atual Diretor - veio até mim, me cumprimentou e disse que o Alan teve um compromisso, mas que havia deixado avisado que eu poderia adentrar, conhecer e fotografar tudo. Ele inclusive me acompanhou, apresentado outros funcionários e as demais repartições da empresa. Ali começava outra etapa da minha viagem.

Tirei algumas fotos da parte externa:

Após a rampa de entrada, o corredor que pode ser avistado à frente, entre os dois prédios; e do lado esquerdo.

A parte superior do prédio 01 e a parte traseira, onde ficam os estúdios.

Novamente o corredor central, visto de outro ângulo. Atentem às pessoas que ali estão. Eu já tinha visualizado alguns dubladores extremamente conhecidos pelo público, que serão citados mais adiante.

Parte inferior do prédio 02 e a porta lateral de acesso.

Começamos então a visita interna. O prédio dos Estúdios de Mixagem estava funcionando naquele momento, então o Tadeu me convidou pra conhecer a aparelhagem e o processo em execução.

Hall principal e as janelas que dão vista para a contrução ao lado.

Já de cara, antes de subir as escadas, ninguém menos que Marli Bortoletto estava vindo em nossa direção. Fui apresentado à ela pelo profissional. Quanta simpatia e gentileza numa só pessoa. Troquei algumas palavras com ela - admirando aquela doce voz - e disse que era fã desde sempre, e que conhecia muita coisa que ela havia feito na carreira. Lamentei a ausência dela nas redes sociais, pois uma profissional deste calibre, poderia ser mais "acessível". Ela disse que não entende muito de computador, mas que fica sabendo das novidades através de sua filha.

Sala de Cinema: onde são exibidos os filmes, aos olhos atentos de um mixador profissional. Muitos filmes brasileiros são finalizados aqui. O ambiente é literalmente envolvente, amplo, limpo, e possui um design arrojado.

Na sala ao fundo, os equipamentos de projeção e armazenamento.

Em seguida, entramos na outra sala de mixagem, a que estava em operação. Naquele instante, o técnico estava fazendo a montagem dos áudios do anime FullMetal Alchemist: Brotherhood. Na tela, um personagem alternava suas falas com a voz em japonês e com a dublagem, prontamente reconhecida por mim como sendo a voz do Luiz Antonio Lobue. Mais uma vez o que se destaca é o espaço gigantesco e os equipamentos de alta tecnologia, devidamente organizados. O som é extremamente nítido e preciso. Nada de fones de ouvido ou coisa do tipo: o som tem que ser analisado ambientalmente, sendo respeitado todos os tipos de efeitos que compõem a trilha original.

Na primeira imagem, vemos o mixador trabalhando e o Tadeu ao fundo.

Ali, novamente fui surpreendido por outro dublador: Wendel Bezerra. Este é sem dúvidas a voz que está mais em evidência no país neste momento. Desenhos (Bob Esponja), Animes (Dragon Ball Kai), Filmes (Crepúsculo), Comerciais de TV (Axe), Brinquedos (Candide), etc. Até então eu nunca tinha conversado com ele, nem por e-mail. Mas apresentei-me, e trocamos algumas palavras. Muito gentil. E eu que imaginava que já tinha tido emoções suficientes, nem idealizava o que ainda estava por vir. Seguimos então para o prédio pioneiro, onde ficam os estúdios de captação de vozes. Enquanto andávamos, pude conversar bastante coisa com o Tadeu, que me contou algumas curiosidades do começo de tudo. Enfim, um papo agradável e proveitoso, de um profissional que havia abdicado de seu trabalho somente para me acompanhar.

No caminho, saindo da recepção, estava a Úrsula Bezerra. Já tinha trocado algumas mensagens com ela pelo Facebook, e pudemos nos conhecer e ter uma conversa bem rápida, pois ela estava atrasada e precisava ir ao banco.

Nas duas primeiras imagens, vemos o corredor (dos dois ângulos) que levam aos estúdios. As prateleiras brancas eram usadas antigamente para armazenar as fitas usadas no processo. A escada em espiral e a porta branca na parte de cima, era usada pelos os técnicos que reproduziam, antigamente, a película para que os dubladores e diretores fizessem o seu trabalho. Atualmente é tudo informatizado, e a exibição é feita através de uma tela de TV convencional, que ocupa muito menos espaço e é bem mais dinâmica.

Por incrível que pareça, após ter presenciado um aparato tecnológico de ponta, o que mais me cativou foi justamente os estúdios e sua simplicidade. Segundo o meu acompanhante, o aspecto físico é exatamente o mesmo desde a inauguração do prédio. Ao adentrar naquele espaço, outro sentimento indiscritível tomou conta de mim. Um filme passou pela minha cabeça. Era impossível não olhar naquela cadeira e na mesa de madeira na sala de direção, e não imaginar Líbero Miguel, Nair Silva, Gilberto Baroli, João Paulo Ramalho, Carlos Alberto Amaral, Ézio Ramos e tantos outros nomes que ali sentaram por inúmeras vezes, regendo os dubladores que fariam suas gravações.

Novamente pode se avistar equipamentos de última geração. Cada estúdio conta com seu iMac, rodando o software de gravação de áudio.

Em seguida, mais emoções: hora de ficar no mesmo cômodo onde GIGANTES da dublagem passaram grande parte de suas vidas. Novamente a "tecla play" toma conta de minha mente. Detalhe que neste momento o Tadeu precisou sair para atender uma ligação em sua sala, e eu fiquei ali, sozinho, imaginando incontáveis passagens. Olhava para a bancada, para o telão, para o chão... e pensava que exatamente onde eu estava, estiveram saudosos artistas que não estão mais entre nós: Carlos Laranjeira, Gastão Malta, Marcos Lander, Ricardo Medrado, Jorge Pires, Oswaldo Boaretto, Borges de Barros, Francisco Borges, etc. Ao mesmo tempo, outros nomes que ali começaram suas carreiras de sucesso, também foram lembrados: Francisco Brêtas, Christina Rodrigues, Lucia Helena Azevedo, Alessandra Araújo, Eduardo Camarão, Angélica Santos, Wendel Bezerra, Hermes Baroli, Leticia Quinto, Elcio Sodré, Mauro Eduardo Lima, Tatá Guarnieri, dentre muitos outros.

Há duas portas que separam a sala do diretor da sala onde ficam os dubladores. Tudo para que a acústica seja preservada. É possível perceber o tamanho do cômodo, que abriga até mesmo um sofá, onde ficavam os atores aguardando pra gravar, no caso de um vozeirio. Bem ao fundo fica o telão, que está desativado.

Fui avisado de que logo mais, às 16:00 horas, haveria uma gravação. Era um trecho de um capítulo do desenho Kick Butowski, exibido pelo Disney XD, sob a direção de Jussara Marques. Também fiquei conhecendo-a e seu técnico de som, Rafael Santi, neste momento. A gravação durou pouco tempo, mas foi o suficiente pra ver a precisão de um trabalho bem feito. A captura dos diálogos é algo rápido e prático, e caso - na opinião da diretora - necessite ser refeito, é imediatamente exibido novamente e regravado.

Em seguida, saí andando pelos corredores, passei pela recepção (onde tinha mais dubladores) e fui ver onde ficava a pedra de escalas, aquelas onde constam as produções a serem dubladas, os dubladores escalados, diretores, estúdio e horário. Havia uma série de nomes do dia anterior e posterior também. Basicamente de duas produções: FullMetal, dirigido pela Úrsula; e Butowski, pela Jussara. Haviam passado por lá no dia anterior o Sergio Corcetti, Marcelo Pissardini, Gilberto Baroli, dentre outros.

Ainda fiquei perambulando por ali, olhando e fotografando, mas sem abordar ninguém. Fiquei extremamente receoso em incomodar o pessoal que estava trabalhando ou esperando pra gravar. Na minha cabeça, eu já tinha conseguido muito, então evitei de "tietar" os que ali estavam. Permaneci encostado no batente da porta, na sala da recepção, e avistei o Wellington Lima. Na verdade, já tinha visto ele saindo de um estúdio. Em seguida, chegou o Hermes Baroli, cumprimentou todos os colegas e veio falar comigo um pouco. Fiquei super lisonjeado por ter me reconhecido. Depois foi ver sua escala e trabalhar. Em seguida, chegou o Hélio Vaccari. Entrou e gentilmente saudou todos os que ali estavam. Quem diria que ia ver um dos tantos talentos da A.I.C. diante de mim. Mas como estava na minha postura "defensiva", também não o incomodei. Por ter escolhido me comportar desta forma, acabei não tirando foto com ninguém...

Resolvi deixar todo mundo a vontade, e fui para o lado de fora. Comecei a mexer na câmera, analisando as fotos que tinha tirado, e quando olho para rampa, vem chegando ninguém menos que a Rosa Maria. Arregalei os olhos e não acreditei. Ela falou "oi" pra quem tava ali fora, olhou para mim (que estava justamente na porta), subiu o degrau da recepção, voltou e me disse: "Ivan Betarelli, o que você está fazendo aqui?" Travei. Literalmente. O Well, que estava sentado mas prestando atenção, se levantou e foi até lá também, e disse que "sabia que conhecia o meu rosto". Fiquei nervoso, espantado e feliz ao mesmo tempo. A emoção de conhecer um ídolo é uma coisa, mas ser reconhecido por este não dá pra explicar. Mas como já era um pouco tarde, e eu tinha que fazer todo o trajeto de volta, não deu pra conversar praticamente nada.

As portas dos demais estúdios, que fazem ligação com a recepção...

... e os corredores internos, que ligam a também recepção aos estúdios dos fundos/ saída lateral do prédio.

Assim, quando estava me preparando pra sair, eis que o Alan chega, olha pra mim e diz: "Você é o Ivan, né? Seja bem vindo." Veio até mim, me deu um abraço, e me chamou pra conhecer o andar de cima, e pra conversar um pouco com ele.

A escadaria que leva ao segundo andar e o refeitório/ copa.

Fui extremamente bem atendido por ele, que gastou seu precioso tempo para sentar-se e trocar algumas palavras comigo. Falamos sobre algumas épocas da dublagem, a criação e a idealização de seu pai, desde o começo até onde tinha chegado, o seu início na parte administrativa da casa, do momento delicado, enfim. Foram uns 15 minutos de uma conversa prazerosa. Mas como eu já sabia que ele estava ocupado - e também havia outra pessoa aguardando pra falar com ele - pedi licença, agradeci inúmeras vezes o convite para a realização deste sonho, e me despedi.

No meu trajeto de volta, ficaram as lembranças das pessoas que vi e conversei, e um sentimento estranho de nostalgia, o que normalmente a gente sente de algo que já passou, ou de algum lugar que já esteve. No tempo que fiquei passeando por lá, sentia algo parecido com saudade, como se há muito tempo eu não estivesse naquele local. Vai ficar pra sempre na lembrança o dia em que pude estar no mesmo lugar onde estiveram inúmeros ídolos ao longo de tantos anos. O que conforta um pouco são as palavras do Alan no vídeo do Nelson, onde ele diz que "a Álamo não está acabando, e sim se reestruturando, para quem sabe, uma possível volta no futuro, num formato mais compacto, que é o necessário".

Mais uma vez agradeço principalmente ao Alan Mark Stoll, por ter me concedido esta chance única de ver um pouquinho do que foi tudo aquilo, ainda com os estúdios montados e equipamentos funcionando. Um grande abraço e o desejo de sucesso em sua carreira, independente daquilo que resolver fazer em sua vida daqui pra frente, Alan. Muito obrigado do fundo do coração.